Pupilo de Nikolas a quilombola travesti do Psol: “Só nascendo de novo”
Pablo, eleito para o primeiro mandato ano passado, obteve a maior votação da história da Câmara Municipal de BH, com 40 mil votos
Em uma sessão plenária da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), na terça-feira, 8, durante a votação de uma lei que permite a adoção da Bíblia como material paradidático em escolas públicas e particulares do município, uma fala do vereador Pablo Almeida (PL), ex-assessor parlamentar do deputado federal Nikolas Ferreira, do mesmo partido, contra uma vereadora travesti e quilombola, Juhlia Santos (PSOL), causou revolta e motivou um “pedido de censura” à mesa diretora da Casa.
Antes que eu prossiga, me permitam trazer uma informação que revela o tamanho da nossa miséria política e, por que não?, social: Nikolas obteve 1.47 milhão de votos em 2022, tornando-se o terceiro deputado federal mais votado da história do país, atrás apenas de Eduardo Bolsonaro (1.84 milhão em 2018) e Enéas Carneiro (1.57 milhão em 2002). Já Pablo, eleito para o primeiro mandato ano passado, obteve a maior votação da história da Câmara Municipal de BH, com 40 mil votos.
Um “pedido de censura” significa, grosso modo, uma espécie de desagravo público, e nada mais. A vereadora fundamenta seu requerimento na Resolução 1480/1990 do Regimento Interno da Câmara. Especificamente, cita os artigos 26 e 27, que preveem a aplicação de censura a vereadores que atentem contra a dignidade do mandato ou usem expressões que configurem crime contra a honra. Atenção, agora, para as palavras abaixo – primeiro a vereadora e, na sequência, o vereador.
Escola Bolsonarista
“Mais uma vez, quando for me usar como meme, gente, me pega num look bonitinho, e não acelera, não, minha voz, porque fica ruim de mais, eu já sou meio fanha, então, quando vocês se valerem de mim como meme, dá uma moralzinha aí, sabe? Me pega mais bonitinha, aprende aí com uns vereadores, a gente já combinou, porque tá ruim de mais, sabe, presidenta? Toda fala minha vira meme aqui”. Agora, o rapaz:
“Eu queria falar com… Cadê? Juhlia Santos. Juhlia, molduras boas não salvam quadros ruins, não, minha filha. Não adianta, não. Não tem jeito, isso aí você pode ficar tranquila, que melhorar você, só nascendo de novo”. Acredito que, como eu, o leitor amigo se lembrou de Jair Bolsonaro (PL), por três vezes – uma em 2003 e duas em 2014 -, assim se referindo à deputada federal Maria do Rosário (PT):
“Jamais iria estuprar você, porque você não merece… vagabunda!”, durante uma discussão nos corredores do Congresso, em 2003. “Fica aí, Maria do Rosário, fica! Há poucos dias você me chamou de estuprador, e eu falei que não estuprava você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, em 2014, no plenário da Câmara dos Deputados. “Ela não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria”, um dia depois, à uma rádio.
Quem sai aos seus
Não. Não se trata de coincidência. Mas de crenças, valores, índole. Assim como o próprio Nikolas e suas adjetivações a homossexuais, transsexuais e obesos que, como o “mito”, também já se referiu ao presidente como “nove dedos”. Dias atrás, Gilvan da Federal, também do PL, vociferou: “Quero que ele vá para o quinto dos infernos, é um direito meu. Não quer dizer que vou matar o cara. Mas eu quero que ele morra, que vá para o quinto dos infernos. Porque nem o diabo quer o Lula, por isso que ele tá aí, superou um câncer… tomara que tenha um ataque cardíaco”.
“Ah, Ricardo, não vai falar da esquerda? De Janones, Lindbergh, Boulos?”. Não, não vou. Primeiro, porque não preciso apontar a sujeira de um para lavar a de outro, como sempre nos lembra o Felipe Moura Brasil. Segundo, porque já cansei de criticar o que fazem e falam estes senhores. Mas há uma diferença entre estes extremistas, ao menos no que se referem a mim. Os esquerdistas, quando não gostam, me processam (atualmente são três). Já os bolsonaristas, me ofendem e ameaçam. Isso é relevante.
Pablo deveria ser cassado. Gilvan também. Bolsonaro deveria ter sido condenado no caso Maria do Rosário (suas ações prescreveram). E Nikolas, processado e condenado pelas barbaridades que já disse. Assim como quaisquer outros “selvagens” travestidos de políticos, à vontade para fazerem o que fazem, sob o manto da tal imunidade parlamentar e, não raro, sob as bênçãos das gavetas do Judiciário complacente. Minha solidariedade à vereadora Juhlia. A Câmara Municipal de Belo Horizonte já viveu dias melhores.
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Comentários (3)
Marcia Elizabeth Brunetti
12.04.2025 08:15Deve ser difícil mesmo. Todos os brasileiros tem sentido o mesmo. Só não enfrentamos processos, apenas brigas de família e amigos. Se fala mal do Bozo você é de Esquerda. Se fala mal do Lula você quer o Mito. Quando esses "limitados" vão entender qual o valor do "isentão.
Luís Otávio Stédile
11.04.2025 09:29Ainda não entendi o problema de ter chamado a pessoa de feia no meio de uma provocação. Cavou fundo nessa, hein, Ricardo.
Ernesto Herbert Levy
10.04.2025 12:13Isto é, a oposição fazer como o Lord FHC. Isentão em 2002, foi destruído pela esquerda junto com o PSDB. Ficou responsável por uma Herança Maldita. Pegou. Não dá para ir para uma batalha de metralhadoras fantasiado de estilingue. Num país com uma população mais educada o articulista teria razão. Infelizmente não é o caso do Patropi. Triste.