Copom aponta "esmorecimento no esforço de disciplina fiscal"

15.04.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

Ata do Copom aponta “esmorecimento no esforço de disciplina fiscal”

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 25.03.2025 08:58 comentários
Economia

Ata do Copom aponta “esmorecimento no esforço de disciplina fiscal”

"O aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia", alerta comitê do Banco Central comandado por Galípolo

avatar
Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 25.03.2025 08:58 comentários 1
Ata do Copom aponta “esmorecimento no esforço de disciplina fiscal”
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central publicou nesta terça-feira, 25, a ata de sua última reunião, na qual elevou a taxa básica de juros em um ponto percentual pela terceira vez seguida, para 14,25% ao ano.

E há uma mensagem clara para o governo Lula (ao centro na foto) no texto.

“O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, diz a ata do Copom, cuja reunião foi comandada pela terceira vez por Gabriel Galípolo (à esquerda na foto), indicado por Lula para presidir o BC.

Segundo o comitê, “no período recente, a percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida seguiu impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes”.

“Esmorecimento no esforço”

O texto segue:

“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.”

Por falar em “aumento de crédito direcionado“, o governo Lula promove o que a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, apelidou de “empréstimo do Lula”, uma estratégia eleitoreira para baratear o crédito para trabalhadores com carteira assinada.

“O ciclo não está encerrado”

O Copom explicou na ata não apenas por que decidiu elevar a taxa Selic em mais um ponto percentual, mas por que optou por sinalizar que deve elevar a taxa básica de juros em menor intensidade na próxima reunião:

“O Comitê, em sua comunicação, optou por conjugar três sinalizações sobre a condução de política monetária, caso se confirme o cenário esperado. Primeiramente, julgou que, em função do cenário adverso para a dinâmica da inflação, era apropriado indicar que o ciclo não está encerrado. Em segundo lugar, em função das defasagens inerentes ao ciclo monetário em curso, o Comitê também julgou apropriado comunicar que o próximo movimento seria de menor magnitude. Além disso, diante da elevada incerteza, optou-se por indicar apenas a direção do próximo movimento.”

Ambiente externo

O Copom destacou ainda que “o ambiente externo permanece desafiador em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente pela incerteza acerca de sua política comercial e de seus efeitos”.

“Esse contexto tem gerado ainda mais dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed e acerca do ritmo de crescimento nos demais países”, diz a ata, que segue:

“Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo segue exigindo cautela por parte de países emergentes.”

A culpa ainda é de Campos Neto?

Galípolo foi indicado por Lula para a presidência do Banco Central como se fosse um antídoto para Roberto Campos Neto, eleito pelos petistas como vilão nos dois primeiros anos do governo. Mas, por enquanto, a condução do BC segue na mesma toada do presidente indicado por Jair Bolsonaro.

Ainda assim, os petistas mantêm o discurso. Segundo eles, Galípolo não pode dar um “cavalo de pau” na política monetária de uma hora para a outra e, portanto, a culpa pela alta na taxa básica de juros ainda seria de Campos Neto ao contrário do que diz a ata do Copom.

Assine Crusoé e leia mais: Agora é com Galípolo

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Vieira pede indiciamento de Moraes, Toffoli, Gilmar e Gonet

Visualizar notícia
2

Crusoé: Lula reduz diferença para Flávio no 2º turno, indica Apex/Futura

Visualizar notícia
3

Por que relator de CPI pediu o indiciamento de Gilmar

Visualizar notícia
4

Mais uma promessa que Flávio Bolsonaro não irá cumprir

Visualizar notícia
5

Por que Vieira pediu o indiciamento de Moraes na CPI do Crime Organizado

Visualizar notícia
6

STF sob investigação

Visualizar notícia
7

Governo muda membros da CPI do Crime para enterrar relatório de Vieira

Visualizar notícia
8

Por que Vieira pediu o indiciamento de Toffoli

Visualizar notícia
9

“Ala do STF” sussurra contra relatório da CPI do Crime Organizado

Visualizar notícia
10

Dino defende colegas de STF de pedido de indiciamento em CPI

Visualizar notícia
1

Mais uma promessa que Flávio Bolsonaro não irá cumprir

Visualizar notícia
2

Vieira pede indiciamento de Moraes, Toffoli, Gilmar e Gonet

Visualizar notícia
3

Por que Vieira pediu o indiciamento de Toffoli

Visualizar notícia
4

Vieira destaca substituição de membros na CPI que rejeitou relatório

Visualizar notícia
5

Toffoli classifica relatório da CPI como “abuso de poder” e alerta para inelegibilidade

Visualizar notícia
6

"Esqueceu dos colegas milicianos", diz Gilmar sobre Vieira

Visualizar notícia
7

Fachin repudia "de forma enfática" pedido de indiciamento de ministros do STF

Visualizar notícia
8

Governo muda membros da CPI do Crime para enterrar relatório de Vieira

Visualizar notícia
9

Crusoé: País vive "agressão permanente às instituições", diz Alcolumbre

Visualizar notícia
10

"Adoro ser desafiado, me divirto com isso", diz Gilmar

Visualizar notícia
1

“Descobri que um vereador tem mais poder que senador”, diz Janaina

Visualizar notícia
2

Câmara escolhe petista para vaga no TCU

Visualizar notícia
3

Motta reclama de Boulos durante encontro com Lula

Visualizar notícia
4

Relator apresenta parecer favorável a Jorge Messias para o STF

Visualizar notícia
5

Boa gestão de benefícios sociais economizaria R$ 22,4 bi

Visualizar notícia
6

Liberdade Acadêmica: onde termina o debate e começa a restrição?

Visualizar notícia
7

Trump “quer um acordo grande”, diz JD Vance

Visualizar notícia
8

Mark Carney conquista maioria no Parlamento canadense

Visualizar notícia
9

Exclusivo: Exilada na Europa, Isabella Cêpa quebra o silêncio sobre a perseguição de Érika Hilton

Visualizar notícia
10

Nunes Marques é eleito presidente do TSE

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Banco Central Copom Gabriel Galípolo taxa básica de juros
< Notícia Anterior

Crusoé: A "falha extraordinária" de segurança do governo Trump

25.03.2025 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Flamengo pede adiamento da assinatura do terreno para construção do estádio

25.03.2025 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Redação O Antagonista

Suas redes

Instagram

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Eduardo Camargo de Carvalho

25.03.2025 09:31

Se tem algo que é bom para o povo é quando o governo dá tiro no pé!!


Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.