Lula nunca deveria ter dividido a sociedade em “nós contra eles”, nem financiado ditaduras amigas com dinheiro dos brasileiros, nem liberado verbas de publicidade a blogs petistas, nem aceitado ter uma relação imobiliária (com reservas e reformas de imóveis visitados e frequentados por ele) e financeira (com remunerações milionárias por alegadas palestras) com empreiteiras que tinham contratos públicos nos governos dele e de sua correligionária, que dirá envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras, para onde ele próprio havia indicado diretores.
Jair Bolsonaro nunca deveria ter acobertado a sujeira da família em gabinetes com a sabotagem do combate à corrupção, nem plantado e disseminado mentiras sobre urnas eletrônicas, nem adiado a divulgação e manipulado a conclusão (de que não houve fraude) do relatório da Comissão de Transparência Eleitoral integrada por militares, nem insuflado manifestantes a decidir o rumo das Forças Armadas após sua derrota eleitoral, muito menos recorrido aos comandantes delas com um plano de golpe de Estado travestido de medida constitucionalmente legítima, que dirá permitido a pressão de aliados sobre eles.
Alexandre de Moraes nunca deveria ter censurado reportagem de Crusoé por expor verdades inconvenientes, ou contas inteiras de ativistas em razão de postagem específica, ou ainda empresa e cidadão americanos, nem determinado proibições de entrevistas de quem não foi preso, nem ordenado operações contra empresários por ideias aventadas em grupos privados de WhatsApp sem iniciativas práticas correspondentes, nem deixado na gaveta o caso de Cleriston e na prisão um morador de rua, nem atuado duplamente e por meios informais como presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal nos mesmos casos, nem concentrado poderes exorbitantes e outros papéis conflitantes, sob a retaguarda de colegas de Suprema Corte, como os articuladores Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
Tudo isso pode ser verificado em centenas de análises e comentários que venho fazendo ao longo dos anos, com base em apurações, provas, relatórios e processos, enquanto as militâncias copiam as partes convenientes do meu trabalho e me atacam pela parte inconveniente, baseada nos mesmos princípios.
Nenhuma presepada de um dos três protagonistas do caos brasileiro – Lula, Bolsonaro e Moraes – anula as presepadas dos outros, resumidas acima. E não é difícil entender isso. O que é difícil, para quem se deixou aprisionar em qualquer bolha virtual de propaganda política e ideológica, é admitir o quanto se deixou enganar e corromper.