Como a falsa acusação de transfobia na peça Wicked dominou as redes e até a imprensa
A sociedade do espetáculo passou dos limites. A ânsia por lacração, clique e curtida está gerando monstros
Alegar transfobia virou passe livre pra influencer aparecer e causar. O problema é que isso acontece, cada vez mais, esmagando principalmente mulhere. A gente tem visto esse padrão nas redes e em universidades sistematicamente. É o caso da influencer conhecida como Malévola, que causou no espetáculo Wicked e acabou mobilizando multidões e até parte da imprensa sem um único indício de que o fato tenha ocorrido.
Não é novidade. Professores têm sido perseguidos por muito menos. A professora universitária Mara Telles foi atacada por se recusar a ser chamada de “pessoa que menstrua”. Queria ser chamada de mulhe. Resultado: acusação de transfobia e dezenas de processos. O professor Richard Miskolci, questiona o termo “cisgênero” com base em uma reflexão simples: quem é 100% o que se espera de um homem ou de uma mulher? Ninguém. Pense em gays e lésbicas, são o que se espera do próprio sexo? O conceito não se sustenta, é um raciocínio interessante. Resultado: perseguido também e cancelado por transfobia.
Tudo isso acontece porque basta uma acusação, mesmo sem fundamento, para virar escudo. Foi o que tentaram fazer agora. No caso do Wicked, a influencer causou confusão com o namorado na porta do teatro. Eram acusados de furar a fila de entrada, só que isso impedia a fila de andar.
A peça ia começar, o público estava impaciente. A briga começa, o casal alegava estar na fila e os demais diziam que não. Chega uma mãe com a filha. No meio do bate-boca, essa mãe pergunta quem, afinal, estava na fila, se era o homem ou a mulher. Ou seja, se era Malévola ou se era seu namorado que estaria na fila. A influencer distorceu e passou a dizer que ela foi chamada de homem. No boletim de ocorrência, a mãe diz que só viu o casal na confusão, nem sabia que a mulher era trans.
Dali em diante, ninguém checou mais nada. A influencer acabou entrando, foi para a fila em que a mulher estava sentada, apontou e disse aos gritos que tinha sido vítima de transfobia, exigindo a retirada da mãe e sua filha de 10 anos. O teatro se levantou em apoio à influencer. A produção, que não tinha nem indício de que a acusação fosse verdade, retirou mãe e filha do teatro.
A atriz principal fez vídeo sobre o caso defendendo a influencer mesmo sem saber o que tinha ocorrido. Não há filmagem da alegada transfobia. Nem a influencer nem suas eventuais testemunhas foram à delegacia. A atriz diz que a peça é sobre tolerância, que ela não teve. Ignora que Wicked é sobre ouvir os dois lados, o que ela própria não fez. Aliás, nem ela, nem o jornalismo que tratou como fato algo que não tem indício de ter acontecido.
A influencer Malévola é conhecida nas redes por armar confusão com mulheres e crianças para se promover. Os vídeos mais famosos são o que ela fecha o vidro na cara de uma criança pobre quando distribuía chocolates de Páscoa e outro em que ela arma uma briga num restaurante japonês por não ceder o lugar na fila para uma grávida.
No boletim de ocorrência, não há menção a transfobia. Não há filmagem. Não há testemunha que tenha ido falar à polícia. Nem a própria influencer deu queixa, o registro foi feito pela mãe. A plateia se levanta contra uma mulher inocente e sua filha de dez anos. O jornalismo, que tem obrigação de apurar, não tem um vídeo. Nesse caso, vale o documento, o Boletim de Ocorrência.
A sociedade do espetáculo passou dos limites. A ânsia por lacração, clique e curtida está gerando monstros. Gente que prefere aderir à multidão do que checar os fatos. Gente que acusa sem pensar. Gente que quer aplauso fácil, mesmo que às custas de uma mãe sendo linchada ao lado da própria filha. Nunca precisamos tanto de princípios sólidos, moral e compromisso com a realidade dos fatos.
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Comentários (2)
Jorge Irineu Hosang
07.04.2025 03:31Gente desse tipo, que faz e fala o que quer, uma hora encontra o que não quer!! A lógica diz que o que tende a acontecer uma hora com a Trans Malévola é levar um balaço, uma facada, ou até um murro fatal, de alguém que não irá levar o desaforo pra casa e irá promover o cancelamento dela no ato, ai ela simplesmente se transformará num presunto extendido no chão e encontrará seu destino na lacração de um caixão. Porque, nem sempre quem morre vira santo, muitos acabam sendo sim um livramento!!
Marcilio Monteiro De Souza
05.04.2025 10:33Pergunta: onde esses excessos vai esbarrar? Nesse mundo de meu Deus quem procura acha.