Metade dos autistas brasileiros recebe diagnóstico tardio
Pesquisa da USP investiga as dificuldades das famílias entre a suspeita e o início do tratamento
Uma pesquisa nacional coordenada pela Faculdade de Medicina da USP e pelo Instituto da Criança e do Adolescente busca mapear o caminho percorrido por famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista — do primeiro sinal de alerta até o acesso às terapias.
O estudo, liderado pela pediatra e professora Ana Paula Scoleze Ferrer, coleta dados por questionário anônimo aberto a qualquer brasileiro maior de 18 anos e pretende subsidiar políticas públicas na área. Para participar, basta acessar este link.
Diagnóstico ainda chega tarde para a maioria
O ponto de partida da investigação é um dado do Mapa do Autismo do Brasil: apenas 51% a 52% dos diagnósticos de TEA são realizados até os 4 anos de idade. A outra metade dos casos é identificada com atraso, o que pode retardar o início das intervenções.
O Brasil registra, segundo o IBGE, mais de 2,4 milhões de pessoas com a condição.
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta comunicação, interação social e padrões de comportamento. A intensidade dos impactos varia amplamente — o termo “espectro” reflete justamente essa diversidade de manifestações.
“A maior parte dos casos é feito tardiamente”, afirmou Ferrer, ao explicar que informações acessíveis à população são determinantes para que famílias reconheçam os sinais e busquem avaliação médica.
Terapias precisam ser adaptadas a cada pessoa
Além do diagnóstico, a pesquisa examina o acesso ao tratamento. A coordenadora do estudo aponta que não existe uma intervenção única capaz de atender a todos os perfis. Comunicação, adaptação escolar, autonomia cotidiana, acompanhamento psicológico, terapia ocupacional e fonoaudiologia são alguns dos eixos que podem — ou não — compor o plano de cada paciente.
“As terapias têm que ser individualizadas para as necessidades de cada indivíduo. Então, não tem uma única intervenção que sirva para todas as crianças e para todos os pacientes”, declarou Ferrer.
A pesquisadora acrescenta que essas necessidades mudam ao longo do tempo, conforme o desenvolvimento da criança, do adolescente ou do adulto e sua resposta às intervenções.
O estudo também abre espaço para relatos: as famílias poderão descrever como perceberam os primeiros sinais, quais obstáculos encontraram no caminho e qual foi o impacto emocional do processo. O objetivo é que os dados levantados orientem melhorias no cuidado e na formulação de políticas voltadas ao público com autismo no Brasil.
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