Vitamina D em alta dose, está ligada a melhor cognição em idosos com problemas de memória e sono precário, diz estudo
A pesquisa analisou 54 pessoas com comprometimento cognitivo leve diagnosticado ou suspeito, todas também apresentando problemas relacionados ao sono.
Uma nova pesquisa conduzida por cientistas da Emory University encontrou uma associação entre o consumo diário elevado de vitamina D e um desempenho cognitivo melhor em idosos que apresentavam comprometimento cognitivo leve e distúrbios do sono.
O resultado chama atenção porque esses dois fatores estão relacionados a fases iniciais do declínio cognitivo, mas os próprios pesquisadores destacam que o estudo é pequeno e não prova que a vitamina D previna demência.
O que o estudo descobriu sobre a vitamina D?
A pesquisa analisou 54 pessoas com comprometimento cognitivo leve diagnosticado ou suspeito, todas também apresentando problemas relacionados ao sono.
Os participantes responderam a um questionário sobre o uso de suplementos e realizaram o Montreal Cognitive Assessment, teste utilizado para avaliar diferentes funções cognitivas.
O resultado mais surpreendente apareceu entre aqueles que consumiam 5.000 unidades internacionais (UI) ou mais de vitamina D por dia. Esse grupo apresentou pontuações mais altas no teste cognitivo do que os participantes que não utilizavam o suplemento.
Leia também: Muralha de 2 mil anos é encontrada sob hospital da antiga Lutécia e pode revelar a origem da cidade de Paris

Quais foram os principais resultados encontrados?
A análise apontou diferenças relevantes entre os participantes de acordo com o consumo relatado de vitamina D. Os principais pontos observados pelos pesquisadores foram:
O estudo, portanto, encontrou uma associação, e não uma relação de causa e efeito. Isso significa que os dados não permitem afirmar que tomar doses elevadas de vitamina D necessariamente melhora a memória.
Por que sono e memória aparecem juntos nessa pesquisa?
Os pesquisadores destacam que os distúrbios do sono são frequentes entre pessoas com comprometimento cognitivo leve. Segundo o estudo, quase metade dos indivíduos com essa condição apresenta algum problema relacionado ao sono. Alterações no sono também são observadas em uma parcela significativa das pessoas com Alzheimer.
A vitamina D, por sua vez, participa de funções relacionadas aos nervos e músculos e também pode influenciar mecanismos associados ao sono e ao ciclo de vigília. Por isso, a equipe investigou especificamente esse grupo considerado mais vulnerável ao declínio cognitivo.
O resultado significa que doses altas protegem contra Alzheimer?
Ainda não. O estudo não demonstrou que a vitamina D previna Alzheimer ou interrompa a evolução da demência. Ele apenas identificou uma associação entre o consumo relatado do suplemento e melhor desempenho cognitivo em um grupo específico.
Além disso, trata-se de uma pesquisa pequena, baseada em informações sobre suplementação relatadas pelos próprios participantes. Os resultados serão publicados na edição de outubro de 2026 da revista Sleep Medicine.
Importante: o resultado não deve ser interpretado como recomendação para aumentar por conta própria a dose de vitamina D. Doses elevadas de suplementos devem ser discutidas com um profissional de saúde, especialmente em pessoas idosas ou que utilizam outros medicamentos.
Fonte: estudo de Sirui Zhou e colaboradores, Sleep Medicine 146, 108960, citado pelo Sci.News.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)