Procon-SP alerta: maioria desconhece teto de preço de remédios
Pesquisa aponta que quase 80% dos consumidores não sabem que medicamentos têm valor máximo regulado pelo governo
Quatro em cada cinco brasileiros que compram remédios não têm conhecimento de que esses produtos possuem um limite de preço estabelecido por órgãos reguladores federais. É o que aponta levantamento do Procon-SP divulgado nesta segunda-feira, 29, realizado com 1.819 consumidores entre os dias 4 e 29 de maio. Do total de entrevistados, 1.538 declararam comprar medicamentos regularmente.
Desconhecimento cresce em relação a 2025
O percentual de consumidores que não conhece o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), índice calculado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), chegou a 79,1% em 2026, alta em relação aos 74,82% registrados no ano anterior.
Mesmo entre os que afirma conhecer o mecanismo, quase 30% não sabem onde consultar os valores de referência. O órgão de defesa do consumidor avalia que a falta de informação persiste apesar do peso dos remédios no orçamento das famílias.
Segundo o levantamento, 88,10% dos entrevistados já desistiram de comprar algum medicamento por causa do valor cobrado, enquanto 94,93% afirmam comparar preços antes de fechar a compra em diferentes estabelecimentos.
Troca por genéricos e uso do CPF dividem opiniões
A pesquisa também identificou mudança no comportamento de quem recebe prescrição médica: 50,20% dos consumidores trocam o medicamento indicado por um genérico ou por outra alternativa mais econômica, ante 31,73% que mantêm a compra do produto exatamente como prescrito.
Para itens sem receita, a experiência prévia do consumidor (34,20%) e a orientação do farmacêutico (27,18%) pesam mais na decisão de compra do que campanhas publicitárias.
Outro ponto levantado pelo estudo envolve o fornecimento de dados pessoais nos balcões de farmácia. De acordo com o Procon-SP, 71,20% dos consumidores informam o CPF sempre que solicitado para obter descontos, mas 54,29% afirmam não saber como essas informações são armazenadas e tratadas pelas redes — outros 35,24% dizem ter dúvidas sobre o tema.
O órgão também registrou queda na preferência exclusiva por grandes redes físicas de farmácias, que caiu de 51,91% para 43,17% em um ano, movimento acompanhado pelo avanço da combinação entre compras presenciais e digitais, que subiu de 31,25% para 39,40% no mesmo período.
Para o Procon-SP, cabe às farmácias detalhar de forma mais clara aos clientes se os dados coletados são compartilhados com laboratórios, convênios médicos ou redes hospitalares, e se há monetização envolvida nesse processo, conforme prevê a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O órgão reforça que o acesso a essas informações é direito do consumidor, que pode solicitar esclarecimentos sempre que for solicitado a fornecer dados pessoais durante uma compra.
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