IA vai mapear risco de dengue em SP
Modelo do Instituto Pasteur de São Paulo cruza clima, urbanização e redes sociais para prever surtos por bairro
Cientistas ligados à Universidade de São Paulo (USP) desenvolvem um sistema baseado em inteligência artificial para apontar, com precisão inédita, as regiões da capital paulista mais vulneráveis à transmissão da dengue.
A iniciativa parte do Instituto Pasteur de São Paulo (IPSP), fundado em parceria entre a USP e o Instituto Pasteur de Paris, e une variáveis climáticas, condições urbanas e o comportamento da população diante da vacina. A proposta foi divulgada nesta terça-feira, 7.
Segundo a Agência SP, o trabalho é coordenado por Mauro César Cafundó de Morais, à frente do Laboratório de Clima e Saúde do IPSP, com participação de instituições brasileiras e estrangeiras, entre elas o próprio Institut Pasteur francês.
Fatores urbanos entram na equação
Temperatura e umidade já são apontadas há tempos como determinantes da proliferação do mosquito Aedes aegypti. A novidade do projeto está em somar a esses indicadores elementos até então pouco explorados pela epidemiologia, como ilhas de calor nas cidades, acesso à água tratada, coleta de esgoto e a cobertura geral de serviços urbanos.
A aposta dos pesquisadores é que essa combinação ajude a explicar um fenômeno recorrente: bairros vizinhos, sujeitos às mesmas condições climáticas sazonais, registram números de casos muito diferentes entre si. A hipótese é que a infraestrutura local — e não apenas o clima — module boa parte dessa variação.
Com base nesses dados, a equipe pretende construir mapas de risco em resolução muito mais detalhada do que a usada atualmente. Em vez de estimativas por cidade ou macrorregião, o objetivo é chegar ao nível de bairro e, num estágio posterior, de quarteirão, permitindo direcionar melhor os recursos públicos e criar alertas antecipados antes que um surto se espalhe.
Monitoramento da confiança na vacina
Uma segunda frente do projeto acompanha redes sociais para captar a percepção da população sobre a vacina contra a dengue incorporada recentemente às políticas de prevenção no país. A técnica, chamada de escuta social, rastreia publicações digitais em busca de dúvidas e sinais de desconfiança coletiva — sem checar informações individuais.
O estudo também vai analisar como profissionais de saúde percebem o imunizante, já que esse grupo é considerado decisivo na recomendação da vacina e na construção de confiança do público em relação a ela.
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