Governo tenta esticar “já já” de Magda para aumento da gasolina
Presidente da Petrobras sinaliza que, mesmo sem aprovação do PLP dos combustíveis, margem para adiar reajustes se esgotou
“Vai acontecer já já um aumento de preço da gasolina”, disse nesta terça, 12, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard (foto). A frase revela que, a despeito dos desejos do governo, a margem para adiamentos se esgotou. Diante da alta internacional do petróleo e da defasagem crescente entre os preços internos e externos, segurar o reajuste da gasolina passou a ser financeira e politicamente inviável para a estatal.
O Planalto esperava que a aprovação do PLP 114/2026 — projeto que permite usar receitas extraordinárias do petróleo para aliviar preços dos combustíveis — ocorresse antes do aumento nos postos. Embora importe derivados, a Petrobras exporta petróleo bruto, o que tem gerado receita extra para o Tesouro. Mas a tramitação do projeto travou e o reajuste pode ocorrer mesmo sem a sua aprovação.
Por que isso importa
O impacto eleitoral de uma alta da gasolina é menor do que o de um reajuste do diesel, que atinge fretes e alimentos, traduzindo-se em inflação. Ainda assim, aumentos na bomba têm peso relevante para Lula, cuja popularidade segue sensível ao custo de vida.
O andamento do PLP dos combustíveis também reflete a qualidade da articulação política entre Executivo e Congresso. O governo contava com uma tramitação rápida para amortecer o reajuste e evitar desgaste, mas o texto parou, devido a divergências sobre a inclusão de medidas para beneficiar o agronegócio.
Sem o projeto, a equipe econômica perde margem para reduzir tributos sem compensações fiscais. E, diante da pressão dos acionistas da Petrobras, o Planalto já discute alternativas emergenciais para evitar que a alta chegue integralmente ao consumidor.
No noticiário
A Petrobras sinalizou que a defasagem entre preços internos e internacionais chegou a um ponto difícil de sustentar. Dados citados pela Abicom indicam diferença média de mais de R$ 2 por litro entre a gasolina vendida pela estatal e o preço de paridade de importação.
Magda Chambriard afirmou que o reajuste da gasolina depende agora mais de avaliação de mercado do que da tramitação legislativa. A preocupação da estatal é não perder competitividade para o etanol, cujo preço caiu nas últimas semanas.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo passaram a discutir medidas alternativas. Uma reunião ministerial realizada em Brasília nesta segunda, 11, reuniu Fazenda, Casa Civil, Minas e Energia, Planejamento e Petrobras para avaliar cenários diante da pressão crescente sobre os preços. Entre as hipóteses em discussão está até a adoção de mecanismo semelhante ao subsídio do diesel.
O atraso do PLP aumentou a tensão política. A relatora do texto, deputada Marussa Boldrin, está nos Estados Unidos e as negociações devem avançar apenas na próxima semana.
Questões em aberto
A principal dúvida agora é timing: quando a Petrobras vai anunciar o reajuste.
Embora Magda Chambriard tenha dito que o aumento acontece “já já”, ela evitou fixar uma data. A cautela é interpretada em Brasília como uma tentativa de dar mais tempo para que o governo consiga destravar alguma solução política ou fiscal.
A torcida do Planalto continua concentrada no PLP. Na segunda-feira, o ministro Dario Durigan afirmou que o governo ainda esperava aprovar o projeto nesta semana e relatou conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para acelerar a tramitação.
Mas o cenário no Congresso segue incerto. O governo resiste a ampliar o escopo do texto para incluir demandas do agronegócio, enquanto parlamentares pressionam por mudanças no relatório. Sem acordo, cresce a possibilidade de a gasolina subir antes de qualquer solução legislativa.
Resumo da ópera
A Petrobras deixou claro que o reajuste da gasolina está próximo. O governo ainda tenta ganhar tempo com o PLP dos combustíveis e alternativas fiscais, mas a combinação de petróleo em alta, defasagem acumulada e pressão sobre os resultados da estatal tornou a estratégia de segurar preços cada vez mais difícil.
O impasse agora é político: se o Congresso não acelerar a tramitação do projeto, o Planalto corre o risco de enfrentar um aumento da gasolina sem o colchão de proteção eleitoral que desejava.
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