As oportunidades para o Brasil no governo de Keiko Fujimori
Além de acesso ampliado ao mercado peruano, está em jogo a consolidação de um corredor econômico voltado ao Pacífico
A conservadora Keiko Fujimori toma posse nesta terça, 28, como presidente do Peru. Seu governo promete restaurar a estabilidade institucional, após uma década marcada por nove trocas de governo. A cerimônia acontece no Dia da Independência peruana chefes de Estado como o argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa e o paraguaio Santiago Peña anunciaram presença. O Brasil enviou o chanceler Mauro Vieira como representante.
Por que isso importa
O novo governo combina uma agenda liberal para retomada do crescimento com uma equipe econômica bem recebida pelo mercado. Keiko prometeu atrair entre 5 e 7 bilhões de dólares em investimentos privados por ano, gerar 500 mil empregos, reduzir a burocracia e acelerar grandes projetos de infraestrutura e mineração. Para executar esse programa, escolheu o ex-diretor do Banco Central Elmer Cuba para o Ministério da Economia e nomeou Carlos Espá para as Relações Exteriores, sinalizando opção pela disciplina fiscal e pela abertura ao investimento privado.
Para o Brasil, a mudança ocorre em um momento particularmente favorável. O Peru tornou-se peça central da integração logística sul-americana graças ao Porto de Chancay e às rotas bioceânicas, enquanto governos e entidades empresariais dos dois países trabalham para ampliar investimentos, comércio e infraestrutura. Se o programa econômico avançar, empresas brasileiras tendem a encontrar um ambiente receptivo para investimentos e exportações.
Panorama
A vitória eleitoral apertada, a persistência da criminalidade e a necessidade de recuperar infraestrutura tornam desafiadora a implementação das promessas de campanha, muito embora os fundamentos macroeconômicos sejam sólidos.
No plano internacional, Lima ocupa hoje uma posição estratégica na América do Sul. A China tornou-se o principal parceiro comercial peruano e financiou o Porto de Chancay, elemento central da Nova Rota da Seda. Ao mesmo tempo, Keiko sinaliza maior aproximação política com os Estados Unidos, especialmente nas áreas de segurança e combate ao crime organizado. O Brasil insere-se nesse equilíbrio como parceiro natural da integração física continental: os corredores bioceânicos ligando o Centro-Oeste e o Norte brasileiros ao Pacífico podem tornar o Peru uma plataforma logística para exportações rumo à Ásia.
Lupa
Os indicadores recentes mostram uma relação Brasil-Peru em expansão.
O comércio bilateral aproxima-se de 5 bilhões de dólares anuais, com superávit histórico para o lado brasileiro. Em 2024, as exportações do Brasil alcançaram 2,9 bilhões de dólares, colocando o país como o terceiro maior fornecedor do mercado peruano. Veículos, derivados de petróleo, siderurgia, papel e celulose figuram entre os principais produtos exportados. Nos últimos anos, as vendas de veículos cresceram de forma particularmente acelerada.
Além do comércio, os governos vêm ampliando a cooperação em áreas como integração fronteiriça, facilitação alfandegária, autorizações sanitárias, infraestrutura, segurança pública e projetos ambientais. O Porto de Chancay, associado às futuras conexões ferroviárias e rodoviárias com o Brasil, tornou-se o símbolo dessa nova etapa das relações bilaterais.
Oportunidades
Em estudo realizado em 2005, a ApexBrasil identificou mais de 1.400 oportunidades comerciais para produtos brasileiros no mercado peruano. As perspectivas concentram-se em máquinas e equipamentos, veículos, produtos químicos, pneus, aço, medicamentos, alimentos e bens manufaturados. O acordo Peru-Mercosul facilita parte desse comércio, enquanto novas aberturas sanitárias ampliam o acesso de produtos brasileiros ao mercado peruano.
Na frente de investimentos, o potencial é ainda maior. A ProInversión apresentou recentemente um portfólio superior a 40 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura para os próximos anos, envolvendo logística, rodovias, telecomunicações, energia e saúde. A expectativa é que empresas brasileiras participem dessas concessões, aproveitando tanto sua experiência em infraestrutura quanto a posição estratégica do Peru como elo entre a América do Sul e o mercado asiático.
Resumo da ópera
A posse de Keiko Fujimori tende a inaugurar um ambiente econômico mais previsível no Peru, embora a implementação de sua agenda dependa da capacidade de superar a instabilidade política interna e acelerar investimentos privados. Para o Brasil, além do acesso ao mercado peruano, está em jogo a consolidação de um corredor econômico voltado ao Pacífico. Se os projetos anunciados avançarem, a relação bilateral poderá ganhar densidade justamente em um momento de reorganização das cadeias globais de comércio e da crescente importância da Ásia para as exportações sul-americanas.
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Comentários (1)
ANDRÉ MIGUEL FEGYVERES
28.07.2026 19:02Lula tem a mente estreita, não pensa na grandeza do Brasil, é egoísta e egocêntrico, triste constatar isso mais uma vez!