Roberto Reis na Crusoé: Lula perde para Lula
O presidente concorre contra ele mesmo e, ainda assim, consegue perder para sua própria rejeição
O presidente Lula está concorrendo contra ele mesmo e, ainda assim, consegue perder. Isso, por si só, já é uma proeza estatística.
Esqueça o que você enxerga na primeira vista nas pesquisas de opinião que circulam hoje. Para quem olha de forma desatenta, elas parecem um raio X da realidade. Não são.
Carregam vícios, distorções e um tanto de preguiça cognitiva.
Primeiro, o percentual altíssimo de indecisos.
Segundo, o timing completamente artificial.
Terceiro, o cardápio real de opções ainda nem foi colocado na mesa do eleitor.
Lula sabe disso, o entorno dele sabe disso, a imprensa sabe disso.
Ninguém, porém, tem o menor interesse em se aprofundar no assunto. É mais confortável ficar na superfície opinativa e fingir normalidade institucional.
Vamos destrinchar alguns pontos com calma.
Tempo
O eleitor médio não está pensando em política agora. É isso.
Para ser honesto, o eleitor médio quase nunca está pensando em política.
Com raras exceções, ele só vai pensar nisso na semana que antecede a ida às urnas.
Até lá, eleição é assunto para entusiasta, para gente com pele em risco, servidor, investidor, empresa que sabe que alternância de governo muda a vida real.
Cerca de 50% do eleitor chega na semana da votação sem ter se decidido em quem votar para o Legislativo.
Aproximadamente 1/3 entra na urna, no domingo, ainda sem ter definido todos os votos.
Entre 1/4 e 1/5 simplesmente nem aparece para votar. É abstenção inercial, aquela apatia que o sistema trata como “normalidade”.
A maioria absoluta das pessoas responde pesquisa baseada em lembrança, em puro recall, não em escolha refletida, real e cristalizada.
Se a pergunta fosse: “quem foram os melhores apresentadores de TV popular na última década?”, viriam respostas como Silvio Santos, Faustão, Gugu, Ratinho.
Não é uma análise, é reflexo condicionado, o tal recall.
Lula esteve na mídia, direta ou indiretamente, nos últimos vinte e cinco anos.
Como oposição, como governante, como padrinho de governo, como protagonista de escândalo.
São milhares de aparições se acumulando na cabeça desse eleitor meio distraído. Ele é uma marca antiga gravada no inconsciente coletivo.
Quem é Tarcísio para o Brasil profundo?
Muita gente ainda associa o nome ao…
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