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Patrícia Lélis vira guerra entre lulistas e bolsonaristas: um empurra para o colo do outro

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Madeleine Lacsko
3 minutos de leitura 16.01.2024 20:38 comentários
Opinião

Patrícia Lélis vira guerra entre lulistas e bolsonaristas: um empurra para o colo do outro

A internet foi inundada hoje por fotos de Patrícia Lélis com Lula e com Eduardo Bolsonaro...

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Madeleine Lacsko
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Patrícia Lélis vira guerra entre lulistas e bolsonaristas: um empurra para o colo do outro
Arte: O Antagonista

A internet foi inundada hoje por fotos de Patrícia Lélis com Lula e com Eduardo Bolsonaro. Diante da notícia de que ela é procurada pelo FBI, um lado quer empurrar para o outro a paternidade. A verdade é que ela transitou muito bem nos dois meios.

Em todos os meios pessoas que agem como ela acabam circulando, mas é assustadora a importância que têm conseguido ganhar no meio político.

Patrícia Lélis não ficou à margem, chegou ao topo. Circulou bastante nos meios conservadores fazendo parte do PSC, depois ganhou força na esquerda quando fez acusações jamais provadas contra Eduardo Bolsonaro e Marco Feliciano.

Aliás, é dela que vem o apelido “Dudu Bananinha”, dado ao filho do ex-presidente. Dizia ter sido namorada dele – o que ele nega e jamais foi provado – e depois afirmou que ele tinha nojo do órgão sexual feminino e que o órgão sexual dele era diminuto.

A esquerda acreditou na hora. Aliás, a imprensa também acreditou. Ela foi ouvida por diversos órgãos importantes quando afirmava ter sido estuprada. O processo judicial tem laudos que a classificam como mitômana.

A grande pergunta é se estamos diante de uma exceção absoluta ou se isso virou a regra. A infantilização do eleitorado favorece a ascensão de quem vive de dizer o que as pessoas querem ouvir. Isso funciona e atrai pessoas sem compromisso com a política.

A ascensão de Patrícia Lélis nos meios conservadores não tem como base uma história de vida ou de realizações, ela apenas dizia o que as pessoas querem ouvir. Quando passa para a esquerda, a lógica é a mesma. Aliás, ela só é expulsa do PT por uma acusação de transfobia, não pelos problemas com processos envolvendo políticos.

Mesmo depois de tudo isso, segundo o FBI, as pessoas deram dinheiro na mão dela. Confiavam que fizesse assessoria para imigração para os Estados Unidos. Novamente, não havia evidência de que tivesse experiência no setor. Basta falar o que as pessoas querem ouvir para ter sucesso.

Estourado o escândalo agora, segue o baile, sem nenhuma mudança. A direita comemora a história dizendo que se trata de uma esquerdista Lulista. A esquerda comemora a história dizendo que se trata de alguém vinda do ninho bolsonarista. Zero reflexão sobre os critérios para inserir essas pessoas na cúpula política de ambos os lados.

A apoteose da superficialidade tem suas consequências. O eleitor acredita em quem diz o que ele quer ouvir e não se preocupa com a realidade. Quer apenas ter o prazer de dizer “eu avisei” e usar as falas dessas pessoas como comprovação.

Temos um ambiente que favorece a criação de eleitores mimados, preguiçosos, infantilizados e reativos. É um solo fértil para atuação de personalidades sem compromisso com o povo ou com a política, mas muito hábeis para identificar o que o público deseja ouvir.

Enquanto o público só suporta ouvir aquilo em que já acredita, pessoas bem intencionadas jamais terão espaço na política. Quem fala a verdade e vê o mundo de maneira mais complexa jamais conseguirá conquistar o coração de quem já se divorciou dos fatos.

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