Márcio Coimbra na Crusoé: Hora de incluir Taiwan na ONU
Jornalistas e cidadãos portadores de passaporte taiwanês têm o acesso negado às instalações da organização em Nova York
Líderes de todo o mundo se reúnem este mês em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Este é o espaço máximo do multilateralismo, onde nações debatem não apenas conflitos imediatos, mas também os caminhos para a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos.
Nesse contexto, uma questão volta à tona com força: a exclusão de Taiwan do sistema da ONU e de seus organismos especializados.
A Assembleia Geral de 2025 ocorre em um momento simbólico. O mundo se aproxima do prazo final da Agenda 2030, com muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ainda distantes de serem alcançados.
É justamente agora, quando a cooperação internacional se faz mais necessária, que se deve refletir sobre o custo da ausência de Taiwan — uma democracia vibrante, altamente desenvolvida, que poderia contribuir de forma significativa para o bem-estar global.
A distorção da Resolução 2758
A Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU, adotada em 1971, tornou-se um ponto central de controvérsia que, infelizmente, ainda ameaça a paz e a estabilidade não apenas no Estreito de Taiwan, mas em toda a região do Indo-Pacífico.
Sua interpretação distorcida tem servido para justificar a exclusão de Taiwan do sistema das Nações Unidas e de seus mecanismos multilaterais, uma exclusão que carece de respaldo jurídico adequado e que enfraquece os valores fundamentais da organização internacional fundada para promover a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos.
É fundamental recordar que a Resolução 2758 tratou unicamente da questão da representação da China na ONU, sem definir o status político de Taiwan e tampouco conceder a Pequim o direito de representar os 23 milhões de habitantes da ilha.
Apenas o governo democraticamente eleito de Taiwan pode exercer essa representação. No entanto, o governo chinês insiste em manipular o texto da resolução para pressionar outros países a aderirem à sua narrativa, criando barreiras artificiais à participação internacional de Taiwan.
O déficit democrático da exclusão de Taiwan
Essa exclusão gera efeitos profundos e prejudiciais. Em primeiro lugar, trata-se de um ataque direto à autodeterminação do povo taiwanês…
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