Leonardo Barreto na Crusoé: Tempo trabalha contra Tarcísio
Para concorrer à Presidência, o governador teria de dar um salto no escuro e se desincompatibilizar do cargo até abril de 2026
A preço de hoje, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, não será candidato à Presidência da República em 2026. O problema é o tempo. O seu e o de Jair Bolsonaro.
Não é exagerado afirmar que o ex-presidente é o grande responsável pela construção da persona política de Tarcísio.
Embora ele tenha sido “descoberto” por Dilma Rousseff e promovido por Michel Temer, foi Bolsonaro quem fez sua transição da tecnocracia para o mundo político.
Tarcísio tomou gosto, mergulhou fundo e se tornou governador do estado mais poderoso da federação na primeira eleição que disputou na vida.
Gozando de popularidade no maior colégio eleitoral do país, desfrutando da confiança do ex-presidente, cuja benção pode colocar qualquer desconhecido no segundo turno, e estando no centro de uma composição política que envolve todos os partidos do centrão, Tarcísio, no entanto, não deve tentar um voo maior em 2026 em razão da conjuntura.
O problema é a combinação entre o tempo dos eventos e a estratégia de Jair Bolsonaro para manter-se vivo politicamente.
Começando pelo final. Atualmente, Bolsonaro não pode mais ser candidato e é grande a possibilidade de ele virar o ano preso ou exilado em alguma embaixada em razão do julgamento do seu suposto envolvimento em um também suposto plano de golpe de Estado.
Como estratégia, o ex-presidente tenta emular Donald Trump, que enfrentou o avanço da justiça mantendo seu potencial eleitoral, mesmo que não tenha condições legais de se candidatar.
De todo modo, manter-se mobilizado é condição necessária para Bolsonaro realizar três apostas: primeiro, tentar aprovar uma anistia prévia para escapar de uma possível condenação.
Se não der, alimentar a sensação de que uma possível ordem de prisão geraria uma comoção social acompanhada de distúrbios, desencorajando as autoridades.
Por último, e só por último, incensar alguém para concorrer à Presidência da República e, em caso de vitória, contar com o seu indulto.
O que nos leva à questão do tempo…
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