Leonardo Barreto na Crusoé: Sidônio joga a toalha
Quem gosta de Lula, gosta. Quem não gosta, não vai gostar. A melhor palavra para definir essa situação é “saturação"
Em 2022, Lula revestiu sua candidatura como um ato de defesa da democracia. Ao que tudo indica, em 2026, o mote será a luta pela soberania. Soa como figurinha repetida e, no fundo, é mesmo.
A estética sidoniana está anos luz atrás da sofisticação do mote de 2006.
Após ser eleito na onda “Agora é Lula, a esperança venceu o medo”, o publicitário Duda Mendonça emplacou um “deixa o homem trabalhar”, sugerindo que todo o barulho do mensalão era algo menor diante da prosperidade e do arcabouço social que atendia os mais pobres pela primeira vez.
Havia um elemento novo que fez os brasileiros fecharem os olhos para o escândalo e seguirem com Lula. Agora, a missão não é empacotar, é reempacotar.
À frente de Sidônio está um presidente com rejeição maior do que 50%, quase octogenário e que faz um governo olhando para o retrovisor, dizendo às pessoas que o que elas podem ter de melhor é a lembrança do tempo em que ele era jovem. “Na minha época é que era bom.”
Soma-se ao enigma de imagem de Lula o fato de ele ser um presidente com imagem consolidada. A essa altura do campeonato, rumando para o quarto mandato, quem gosta de Lula, gosta. Quem não gosta, não vai gostar. A melhor palavra para definir essa situação é “saturação”.
Nesse sentido, Sidônio, deve-se reconhecer, navega com muitas limitações e de acordo com a direção do vento.
O tema do momento é soberania em razão da atuação de Donald Trump e pela associação do tarifaço a Jair Bolsonaro e a palavra de ordem é trazer o ex-presidente para a disputa mesmo que ele esteja preso.
Essa comunicação é complementada com vídeos nas redes sociais mostrando Lula malhando, com braço definido e fazendo corridinhas pelas rampas de Brasília.
Na medida em que o presidente condicionou concorrer de novo à Presidência apenas se estiver bem de saúde, nada mais natural do que incorporar o “vovô garoto”.
Até julho, no entanto, a pegada era outra. O governo estimulava, via redes sociais, a luta de classes dos pobres contra os ricos para defender uma nova rodada de aumento de impostos para bancar a desoneração das pessoas que ganham até 5 mil reais.
Essa egotrip socialista/distributivista animou a militância e…
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