Leonardo Barreto na Crusoé: O Lula velho e o velho Lula
Presidente tenta animar seu eleitorado, mas ao preço de voltar a ser a figura política sectária que perdeu as disputas de 1989, 1994 e 1998
Há uma forte suspeita na Esplanada de que o governo está abrindo uma nova fase da sua comunicação, que terá como pano de fundo o discurso do conflito de classes. Sai o “União e Reconstrução” e entra o “andar debaixo contra o pessoal da cobertura”.
Em artigo publicado na semana passada no Valor, os jornalistas César Felício e Andrea Jubé escreveram que o “governo busca obter ganhos políticos no curto prazo: fixar nas redes sociais a narrativa de que o Congresso age para evitar um ajuste fiscal que implique em preservação de gastos sociais e maior tributação para uma elite econômica. Influenciadores de esquerda tentam impulsionar o crescimento da hashtag #congressoinimigodopovo”.
Na visão do Congresso, esse ataque é absolutamente injusto.
Ao final da sessão que extinguiu o decreto do IOF, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) pontou: “Antes de esse governo tomar posse na Presidência da República, este Congresso votou uma PEC de Transição, abrindo espaço fiscal e orçamentário para que o governo pudesse implementar a sua agenda, seja na Farmácia Popular, seja no Minha Casa, Minha Vida. Esqueceram o que feito antes de receber a faixa presidencial? Nunca a história do Brasil, que um presidente da República aprovou uma Emenda Constitucional na Câmara dos deputados em 60 dias para um novo governo. Eu não vou falar sobre todos os projetos que nós votamos nos últimos 2 anos….”.
Campanha
Na prática, o governo pode estar sacrificando a relação com o Congresso que, mesmo sendo difícil, tem acontecido, por um posicionamento de campanha.
Ao tentar responder à acusação de estar se excedendo na cobrança de impostos, Fernando Haddad desenvolveu a narrativa de que os está sendo feito é um movimento de “justiça tributária”.
Esse discurso está evoluindo para um campo estranho ao tradicional centrismo brasileiro, porque, na medida em que o Congresso se opõe a qualquer aumento de imposto, ele passa a ser automaticamente taxado como o protetor dos ricos e ameaça às políticas públicas que atendem aos pobres.
Incômodo
Hugo Motta (Republicanos-PB) já publicou nas suas redes sociais o incômodo…
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