Leonardo Barreto na Crusoé: O fim de uma utopia global
Tarifaço de Donald Trump pode ser a principal mudança no xadrez mundial desde o fim da Guerra Fria
O “tarifaço” promovido pelo presidente Donald Trump é um passo no escuro.
Se ele for de fato efetivado – é preciso ver como será a pressão interna da economia americana, que depende de cadeias globais de suprimento –, essa terá sido a principal mudança no xadrez mundial desde o fim da Guerra Fria.
Trump está enterrando de vez o regramento de comércio gerenciado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), celebrado em 1995.
Fruto de anos de negociação, o tratado combinava objetivos econômicos, como dar maior previsibilidade e segurança às transações comerciais, como políticos, oferecendo chances de desenvolvimento a países pobres que passaram a deter condições especiais.
Os Estados Unidos e outros países desenvolvidos aceitaram pagar, naquele momento, o custo de uma ação coletiva global para promover um reequilíbrio das riquezas.
É claro que conservavam o poder inerente às trocas de produtos industrializados por commodities.
A coisa começa a mudar de figura com a industrialização da Ásia, processo que levou bons empregos dos Estados Unidos e da Europa para outras praças, como o Japão, China, Índia e Coréia do Sul.
Nesse sentido, a OMC realmente realizou seus objetivos de redistribuição da riqueza global, causando uma inversão da economia mundial.
Pode-se dizer que Trump está “chutando o pau da barraca”.
No entanto, movimentos protecionistas intensos já ditam a política comercial europeia faz algum tempo.
Não se trata de algo criado na cabeça do atual presidente e pode-se dizer, inclusive, que Republicanos e Democratas possuem o mesmo diagnóstico.
Em um famoso discurso, no qual Barack Obama disse que a China era o Sputnik do seu tempo, ele afirmou que a produção que havia se movido para a Ásia…
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