Leonardo Barreto na Crusoé: Até o limite e além
Não há uma agenda até 2026. A eleição de 2026 é a agenda
Há no jogo de poker um tipo de aposta chamado all in. Ele significa colocar todas as fichas em uma única rodada, o famoso “tudo ou nada”.
É assim que o PT enxerga o atual momento da terceira presidência Lula.
Um parlamentar da base governista disse nesses dias que, se a direita vencer em 2026, “ela ficará pelo menos 20 anos no poder”.
Esse tipo de prognóstico fica mais assustador para a esquerda quando se olha para suas fileiras e não se vê ninguém que se aproxime da capacidade eleitoral do atual presidente.
Sobre esse cenário, um observador experiente de Brasília afirma que são enormes as chances de o PT ter o mesmo destino do PSDB.
Sem uma sucessão geracional à altura, e o partido sabe disso, há uma tendência à perda de relevância.
Por isso, é preciso aproveitar cada segundo extra que Lula puder propiciar a seus companheiros.
Essa situação coloca o partido e o presidente na rota de uma radicalização populista e intervencionista.
Na guerra, o comandante costuma gritar, para mostrar que uma batalha é decisiva, que todos devem lutar “até o último homem”.
Pode ser que quem ande pelas vizinhanças do Planalto ouça algo um “até o último centavo”, tamanha é a disposição de o governo recuperar terreno até a eleição usando tudo o que estiver ao seu alcance (e além).
Não há uma agenda até 2026. A eleição de 2026 é a agenda. Lula aparentemente conhece apenas um caminho: distribuir.
O presidente da República, que antes foi líder sindical, vem de uma escola política na qual não se luta por ideais, mas por aumento de salário.
Essa origem deve ter criado nele um senso muito prático e pecuniário do processo democrático, baseado na única metodologia de buscar acomodação por meio da premiação de grupos.
Faz todo sentido, portanto, Lula dizer publicamente que não liga para a macroeconomia. O seu negócio é a micro. Não a microeconomia. Mas a…
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