Josias Teófilo na Crusoé: Meu projeto de casa brasileira
Portas e janelas de madeira, pé direito alto, piso mediterrâneo mesclado e pátio interno. Gostou?
Em geral, começamos a tomar café com açúcar ou com leite e depois aprendemos a tomá-lo puro, sem aditivos.
Esse percurso é o do acessório até o fundamental: aprendemos a gostar do que é café em si mesmo e não do que é adicionado a ele.
O percurso de compreender uma cultura passa igualmente do acessório ao essencial.
E a nossa cultura padece do excessivo destaque dado ao que não é essencial — como a música popular, a arquitetura moderna, o Cinema Novo, os movimentos de vanguarda como a Semana de Arte Moderna e o Concretismo — e da ignorância do que é essencial, os grandes artistas e suas sínteses culturais, como Heitor Villa-Lobos, Gilberto Freyre, Walter Hugo Khouri, José Geraldo Vieira, os grandes poetas como Manuel Bandeira, etc.
Como seria um projeto que sintetizasse a brasilidade em arquitetura, decoração e paisagismo?
Um projeto de casa familiar, facilmente reconhecível em suas características culturais profundas, que seja ao mesmo tempo confortável, aprazível, e nos traga lembranças ancestrais.
Tal projeto deveria partir de elementos coloniais — a arquitetura colonial é unanimidade até mesmo entre os modernistas, que são contrários à tradição.
Uma casa colonial, com portas e janelas de madeira, pé direito alto (mas não tanto, para não produzir o efeito Cidadão Kane e o indivíduo se sentir perdido ali no meio), com piso mediterrâneo mesclado, piso branco e preto na cozinha e piso de taco na biblioteca.
Muito importante para uma casa ter um pátio interno — o pátio interno é a imagem arquitetônica da vida interior, e protege contra as adversidades exteriores — inclusive contra a violência urbana.
No pátio interno é muito fundamental o uso de azulejos, por uma questão estética — é uma estética brasileira essencial que estamos buscando aqui — mas também por uma questão climática, os azulejos conservam o frio e deixam o ambiente agradável no verão.
A civilização ibérica — portuguesa e espanhola, e igualmente a americana — nunca assimilou completamente o legado do Renascimento, que é um legado que tende a ser monocromático.
As catedrais góticas, assim como os templos gregos e romanos, eram pintadas com cores fortes, e viviam cercadas de bandeirinhas…
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