Jerônimo Teixeira na Crusoé: A sentença do batom
Um mês depois de meu primeiro artigo sobre o tema, mais algumas opiniões impopulares sobre a cabeleireira do “perdeu, mané”
A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, símbolo da campanha bolsonarista pela anistia dos envolvidos no protesto golpista do 8 de janeiro, foi condenada a 14 anos de prisão na sexta-feira passada.
Trata-se da mulher que escreveu “perdeu, mané”, com batom, na estátua da Justiça, em frente ao STF.
Mas eu talvez nem precisasse dizer isso: perto de 60% dos brasileiros acompanham o caso de perto, segundo uma pesquisa de opinião recente.
Já deixei minhas considerações sobre o caso nesta revista há pouco mais de um mês. Dizia então que a frase escrita na estátua valia por uma confissão de culpa: ao devolver ao STF a resposta infeliz que o ministro Luís Roberto Barroso deu a um bolsonarista que o importunou em Nova York, Débora declarava a vitória da turba que tomou Brasília sobre as instituições representadas na Praça dos Três Poderes.
As duas palavrinhas traçadas em vermelho no granito da estátua expressavam a revanche dos derrotados no segundo turno de 2022.
Em seu momento de delírio, a Horda Canarinha imaginou que havia virado o jogo: as Forças Armadas seguiriam o chamado das ruas conflagradas, e os manés perdedores seriam então o governo eleito, que acabaria deposto, e os ministros do STF, que seriam quase todos dispensados.
Os defensores de Débora, malandros, enfatizaram o detalhe folclórico de seu gesto: foi só uma besteirinha traçada com batom, item tão corriqueiro na bolsa de todas as mulheres.
E nem sequer Alexandre de Moraes, que deu o primeiro voto pela condenação da cabeleireira, deteve-se sobre o sentido e as implicações do “perdeu, mané”.
Em meio à celebração demolidora dos bolsonaristas em Brasília, argumentei no artigo de março,…
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