Feliz Dia da Mulher! Devemos incluir nele a pauta trans?
Deixo aqui um Feliz Dia Internacional da Mulher, que nasceu como uma marca de luta da mulher trabalhadora.
Talvez você, mulher, tenha pensado que não precisaríamos mais do Dia Internacional da Mulher. Que já conquistamos os mesmos espaços e direitos, que já podemos disputar condições de igualdade. Mas a realidade se impõe: piscamos, e os direitos femininos começaram a retroceder. E, ao contrário do que se pensa, esse retrocesso não vem dos conservadores que querem mulheres tradicionais em casa, mas dos progressistas que, sob o discurso de inclusão, são os que mais agridem mulheres que ousam questionar a pauta trans.
Basta um questionamento e qualquer mulher se torna alvo de hordas violentas, virtuais e reais. A escritora J.K. Rowling virou exemplo disso. Dizem que ela é transfóbica, que odeia trans, mas a única coisa que ela pergunta é: se mulheres trans são mulheres, por que são trans? A premiada escritora Chimamanda Ngozi Adichie também foi atacada por afirmar que uma mulher que nasceu e foi criada como menina tem uma experiência diferente de quem nasceu menino e, depois, passou a viver como mulher.
Esse embate não acontece porque os defensores da pauta trans estejam realmente preocupados com os direitos dessa minoria. A verdade é que sequer sabemos quantas pessoas trans existem no Brasil. A associação que diz representá-las se dedica mais a atacar mulheres do que a defender trans. Enquanto isso, a pauta trans se tornou o centro do Dia Internacional da Mulher. Há quanto tempo não ouvimos falar das mulheres trabalhadoras? Há quanto tempo não vemos debates sobre maternidade e mercado de trabalho? A pauta feminina foi completamente tomada.
A pergunta feita pelo professor Rodrigo Perez Oliveira, censurado pelo próprio sindicato por levantá-la, é necessária: por que a única minoria que não precisa comprovar sua identidade para acessar direitos é a trans? Pessoas com deficiência precisam de laudo oficial. Pessoas negras, em muitos casos, precisam passar por bancas de heteroidentificação. Idosos precisam comprovar idade. Mulheres precisam do atestado biológico ao nascimento. Mas qualquer pessoa pode se declarar trans e, sem qualquer comprovação, exigir direitos reservados às mulheres.
Essa imposição tem retirado espaços femininos. Não estamos falando apenas de banheiros: uma mulher trans, que qualquer um reconheceria como tal, é aceita em banheiros femininos sem alarde simplesmente porque a diferença não é perceptível. O problema é que a autoidentificação permite que qualquer um se declare trans e invada espaços femininos, até mesmo estupradores. Isso ocorreu na Universidade Federal da Paraíba. Funcionários foram processados por ter tirado um homem do banheiro feminino, ele se diz trans mas é impossível imaginar isso pela figura dele. Depois do episódio, uma moça foi estuprada por um homem nesse mesmo banheiro.
Se não houvesse a autoidentificação, esse problema desapareceria. Mas isso diminuiria o volume de pessoas que se dizem trans sem ser. A militância não aceita essa possibilidade, porque a sua real intenção não é proteger trans, mas silenciar mulheres.
O Brasil tem visto casos absurdos. Eu mesma fui condenada judicialmente por ter cumprimentado alguém com um “olá, cara”, o feminino do “olá, caro” que uso para homens. Essa pessoa, uma mulher trans, alegou que eu a chamei de “um cara” e que, portanto, negava sua existência. Os juízes que julgaram o caso decidiram que minha intenção era feri-la, sem sequer me ouvir no processo. Se isso não é uma tentativa de apagar mulheres, o que é? Quantas mulheres não estão sendo silenciadas enquanto deveríamos estar comemorando o Dia Internacional da Mulher?
Nesse contexto, o trabalho da associação Mátria tem sido fundamental. Durante anos, evangélicos e feministas estiveram em lados opostos do debate. Agora, até evangélicos reconhecem a importância da Mátria, porque essa organização teve a coragem de se posicionar a favor das mulheres e daqueles que estão sendo judicialmente perseguidos por defendê-las.
Deixo aqui um Feliz Dia Internacional da Mulher, que nasceu como uma marca de luta da mulher trabalhadora. Ele começou com a luta por direitos trabalhistas e agora simboliza algo ainda mais fundamental: nosso direito de falar e definir o que significa ser mulher.
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Comentários (3)
Amaury G Feitosa
09.03.2025 09:21Todos somos OU deveríamos ser .. humanos ... e viver na paz e harmonia mas pelo que vejo o empoderamento tolo, psicopata e insensato joga todos contra tolos.
Marian
08.03.2025 10:43Não. Penso que cada um é o que é. Mas o respeito é para todos.
Sandra
07.03.2025 21:27LGBT e outros tem que ser respeitados como todas as pessoas, mas não devem ser tratados como pessoas de sexo diferente do que nasceram, e assim como querem ser respeitados e aceitos, tem que começarem a se aceitar primeiro como são. Inventaram tantas letras só pra virar esta confusão