Dennys Xavier na Crusoé: Vale a pena ser bandido no Brasil?
O casuísmo cotidiano devora a justiça no café da manhã, servido em gabinetes refrigerados e regado a precedentes convenientes
Já não há mais espaço para ilusões: o Supremo Tribunal Federal, outrora concebido como a mais alta instância de guarda da justiça, converteu-se no último bastião dos culpados de pedigree.
No Brasil de hoje, a justiça não opera por códigos, mas por conexões.
Penas? Não se cumprem; agendas? Essas sim, religiosamente.
E assim, os condenados de ontem tornam-se os comentaristas informais do presente, desfrutando de liberdade em coberturas de frente para o mar, sugerindo séries da moda como se jamais houvessem violado o erário ou cometido toda sorte de crimes.
Qualquer semelhança com ex-governadores em trajes de banho, libertos por ajustes jurídicos, está longe de ser coincidência.
Trata-se, na verdade, da regra não escrita da nossa república de togados indulgentes.
Advogados veteranos, delinquentes confessos e operadores bem pagos das engrenagens subterrâneas do Estado sabem de cor: chegando ao Supremo, tudo se dilui … a culpa, a prova, o juízo.
Nada é definitivo; tudo é passível de reinterpretar-se sob a lente generosa do garantismo seletivo.
O que antes era delito, torna-se dúvida; o que era sentença, vira “vício processual”.
Como advertia Theodore Dalrymple em Podres de Mimados, a impunidade não é fruto da escassez de normas, mas da falência moral de quem deveria aplicá-las.
No Brasil, o casuísmo cotidiano devora a justiça no café da manhã, servido em gabinetes refrigerados e regado a precedentes convenientes.
Um país exausto, dilacerado pela mais vil esperteza institucionalizada. Pobre Brasil, terra onde o crime compensa, e a toga consente com os advogados dos criminosos.
Falemos de Dias Toffoli, figura destacada na desmoralização cotidiana da justiça tupiniquim.
Na última terça-feira, o referido ministro consumou um ato de corrosão institucional definitiva: anulou, monocraticamente, todos os atos processuais…
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Comentários (4)
Marian
19.07.2025 18:15Numa frase apenas; os fatos falam por si
Annie
19.07.2025 12:18Bandido pé de chinelo acho que não mas corrupto de paletó sim tem um ministro advogado deles.
Carlos Augusto Lins Brito Da Silva
19.07.2025 11:54Resposta muito simples: Claro que vale muito a pena, no Brasil, ser corrupto, traficante, estelionatário, dentre outros tipos de bandidos. Só ter muito dinheiro pra corromper o sistema e se for dinheiro público melhor ainda.
Um_velho_na_janela
19.07.2025 11:44Vale sim, desde que se escolha a quadrilha que está com a chave do cofre no momento.