Dennys Xavier na Crusoé: Adultização é problema doméstico
Os filhos não pertencem ao governo. Não pertencem ao coletivo. Pertencem ao lar. E isso, antes de qualquer coisa, tem de ser respeitado
É o óbvio: quando um pai ou responsável leva uma criança ou adolescente para qualquer situação cotidiana, sua tarefa basilar é: analisar o que de desejável e de indesejável existe lá e condicionar a presença do jovem ao que pode antever.
Eis uma elementar noção pedagógica e moral de responsabilidade parental que ressoa fortemente com os fundamentos da virtus clássica, especialmente sob o prisma da sensatez (phronesis, como diz Aristóteles): a capacidade de deliberar corretamente sobre o que é bom ou mau para a vida humana.
Trata-se, por via de consequência, de um apelo à razão prática do adulto responsável, exigindo que este aja não como mero acompanhante passivo da criança, mas como guia consciente, que julga, prevê e filtra o mundo do ser que, ainda não liberto pelas limitações naturais, permanece tutelado.
Esse papel é fundamentalmente formativo. O que está em jogo é a exposição do jovem ao mundo como campo de valor, onde o que é desejável e indesejável não é meramente questão de gosto, mas de conformidade com a excelência da alma de quem educa.
Estamos diante de um arbítrio eminentemente doméstico!
Vivemos uma época em que o Estado, embriagado por sua própria vaidade moral e por seu arbitrário monopólio da força, reivindica para si a guarda da alma infantil.
Mas não em qualquer momento. Projetos para ajustar os excessos de exposição de crianças em redes sociais existem há muitos anos no Legislativo brasileiro.
Estudiosos do tema tentam, há tempos, buscar a sensibilidade dos agentes estatais para a questão, sem sucesso.
Mas, agora, após denuncia de youtuber, é o escândalo da moda. Ignorar isso custaria votos.
E políticos, bem sabemos, têm verdadeira obsessão por votos e atropelarão princípios (e seja lá quem for) para não os perder.
Todos sabemos: no esquema de protagonismo estatal, pais são desacreditados; e a liberdade, essa virtude frágil que sempre pertenceu ao cidadão, não ao funcionário público, passa a ser patrulhada por comitês, agências reguladoras, hashtags e ministros da verdade.
Mas é preciso dizer com todas as letras: a educação/formação das crianças não é atribuição do Estado.
Ela pertence, de modo originário e inviolável, aos pais…
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