Bruno Soller na Crusoé: Apelo social ou experiência administrativa?
Dois atributos se enfrentam no histórico segundo turno da Bolívia
Um país paralisado pela falta de combustível. É assim que a Bolívia, governada por Luís Arce, que nem mesmo teve coragem de buscar a reeleição, chega às urnas no dia 19 de outubro.
Com pessoas vivendo em carros, filas quilométricas nos postos, escolas e hospitais fechados, e a produção sem qualquer capacidade de escoamento, a crise de abastecimento do país andino se converteu no tema central da campanha do histórico segundo turno das eleições.
Todo o resto parece ficar em um segundo plano, quando a questão vira de sobrevivência.
A influência do ex-presidente Evo Morales, o combate ao narcotráfico e a sonhada saída para o mar parecem nem ser mais temas de discussão, em face da gravidade da crise econômica que assola a Bolívia.
Duas perspectivas se apresentam neste ínterim para oferecer soluções de como resolver esse problema.
De um lado está o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga, que também foi ministro de Economia de Jaime Paz Zamora, pai de seu atual oponente Rodrigo Paz Pereira.
Quiroga cresceu na política sob a mentoria do ex-presidente Hugo Banzer, de quem foi vice-presidente e o sucedeu, assumindo o mais alto posto do país.
Do outro lado, Rodrigo Paz, imagem e semelhança de seu pai, que presidiu a Bolívia no final dos 80 e início dos 90, e que tem no carisma e simpatia seus maiores ativos.
Enquanto Quiroga vende experiência e técnica, Paz vende afago e discurso de força popular.
Populismo na crise
O nacionalismo de Evo Morales segue presente no consciente boliviano e ambos candidatos tentam explorar, cada um a seu modo esse importante sentimento, que pode pesar sobremaneira na hora da decisão do voto.
Em épocas de crise extrema, a história mostra que discursos populistas nacionalistas tendem a crescer e ganhar corpo, como uma forma de dizer que o país se basta e reforçar uma coletividade que pode ser resgatada como mola propulsora de autoestima de bando.
Nesse sentido, Quiroga parte para um debate…
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