Zelensky pronto para chegar a um “compromisso aceitável”
O objetivo do presidente ucraniano ao se reunir com Donald Trump será iniciar um "processo de solução pacífica" sem pressão sobre a questão das regiões de Donetsk e Luhansk
O objetivo do presidente Volodymyr Zelensky ao se reunir com Donald Trump será iniciar um “processo de solução pacífica” sem pressão sobre a questão das regiões de Donetsk e Luhansk, disse uma autoridade ucraniana próxima do presidente ao Financial Times.
De acordo com a autoridade, o presidente ucraniano está pronto para chegar a um “compromisso aceitável” em relação à atual linha de frente.
No entanto, várias autoridades americanas e ucranianas, atuais e antigas, estão pessimistas em relação à reunião de segunda-feira, segundo o Financial Times, temendo que Zelensky tenha dificuldades para mudar o rumo da situação a favor de Kiev.
A preocupação é grande, especialmente após o recente encontro de Trump com o ditador russo, Vladimir Putin, onde foram discutidas ideias controversas, como a possibilidade de um acordo de paz sem um cessar-fogo prévio e a sugestão de que a Ucrânia deve se preparar para concessões territoriais.
O chanceler alemão Friedrich Merz, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e outros líderes europeus acompanharão Zelensky em sua visita a Washington, um sinal claro de solidariedade em meio à crescente preocupação com as intenções de Trump.
Garantias de segurança para o país também estarão no centro das próximas negociações em Washington, afirma um porta-voz do governo em Berlim.
Espera-se um processo longo e complexo antes que se possa chegar a um acordo sobre essa questão, enfatiza. É evidente que devem existir “garantias de segurança robustas” nas quais a Ucrânia possa confiar a longo prazo.
As tensões entre Zelensky e Trump chegaram a um ápice após um encontro desastroso na Casa Branca, onde Trump e seu vice-presidente criticaram e constrangeram Zelensky publicamente durante entrevista ao vivo. Apesar disso, ambos têm tentado restabelecer um diálogo construtivo desde então.
Trump descarta Ucrânia na Otan e a devolução da Crimeia
O presidente dos EUA, Donald Trump, considera a adesão da Ucrânia à Otan e a devolução da península da Crimeia, no Mar Negro, anexada pela Rússia em 2014, irrealista:
“Algumas coisas nunca mudam!!!” escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social, referindo-se a demandas semelhantes de ucranianos. Ele se referiu à anexação da Crimeia, tolerada pelo então presidente dos EUA, Barack Obama, e acrescentou: “NÃO À UCRÂNIA INGRESSANDO NA OTAN”.
Horas antes de seu encontro com Zelensky em Washington, o presidente dos EUA reforçou as exigências da Rússia em relação a um possível acordo de paz.
O chefe do Kremlin, Vladimir Putin, enfatizou repetidamente que a devolução da Crimeia e a entrada da Ucrânia na OTAN estão fora de cogitação para ele.
“O presidente ucraniano Zelensky pode encerrar a guerra com a Rússia quase imediatamente, se quiser, ou pode continuar lutando”, continuou Trump. No passado, Trump já havia culpado o ucraniano por ser parcialmente responsável — e, em alguns casos, até mesmo por ser o único responsável — pela guerra de agressão da Rússia, que começou em 2022.
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