Zelensky celebra decisão dos EUA de fornecer garantias de segurança à Ucrânia
Plano prevê que parceiros ocidentais de Kiev participem da defesa da Ucrânia contra novos ataques russos
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky (foto), chamou de “histórica” a decisão dos Estados Unidos de fornecer “garantias de segurança” à Ucrânia para o término da guerra com a Rússia.
A proposta americana foi revelada após a reunião de Trump com o ditador russo Vladimir Putin no Alasca. O plano prevê que parceiros ocidentais de Kiev participem da defesa da Ucrânia contra novos ataques russos.
Trump indicou que os Estados Unidos estariam dispostos a integrar essas garantias, uma mudança em relação à sua posição anterior de deixar a segurança da Ucrânia exclusivamente à Europa.
“Esta é uma mudança significativa”, disse Zelensky neste domingo, 17, em coletiva de imprensa em Bruxelas. “É importante que a América concorde em trabalhar com a Europa para fornecer garantias de segurança à Ucrânia.”
Líderes europeus se reuniram virtualmente neste fim de semana para discutir os efeitos da reunião entre Trump e Putin no Alasca e possíveis garantias de segurança.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente da França, Emmanuel Macron, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciaram que acompanharão Zelensky em Washington nesta segunda-feira.
Garantias de segurança e o papel dos EUA
Trump afirmou que Putin concordou que a Ucrânia deveria ter garantias de segurança após um acordo, embora não sob a OTAN. Tropas americanas poderiam participar, segundo Trump. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, disse que o Kremlin concordou em permitir que EUA e aliados ofereçam proteção semelhante ao Artigo 5 da OTAN — que trata da defesa coletiva — como parte de um eventual acordo.
Zelensky disse neste domingo que “não há detalhes de como isso funcionará, e qual será o papel da América, qual será o papel da Europa”.
“Precisamos que a segurança funcione na prática”, acrescentou.
Apoio europeu e visita a Washington
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que Trump se baseou em sua ideia de garantias semelhantes ao Artigo 5 da OTAN.
“Embora a Ucrânia não se tornaria membro da OTAN sob essas garantias, seus aliados ocidentais respeitariam uma cláusula de segurança coletiva que permitiria à Ucrânia se beneficiar do apoio de todos os parceiros, incluindo os Estados Unidos, prontos para agir se for atacada novamente”, disse.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que os aliados “estão prontos para fazer a sua parte” e celebrou a disposição de Trump em contribuir com garantias de defesa.
Zelensky se reúne com Trump na Casa Branca
Zelensky viajará a Washington acompanhado por representantes da “Coligação dos Dispostos”, incluindo Von der Leyen e líderes de França, Reino Unido, Alemanha, Finlândia e Itália, além do secretário-geral da OTAN.
O objetivo é obter informações sobre os resultados do encontro de Trump com Putin, que terminou sem um cessar-fogo. Trump passou a defender um acordo de paz permanente, possivelmente envolvendo troca de territórios, algo que favorece a posição russa.
Em Bruxelas, Von der Leyen e outros líderes europeus reafirmaram o apoio ao caminho da Ucrânia rumo à União Europeia e a necessidade de garantias de segurança que não limitem as Forças Armadas de Kiev em eventual acordo de paz.
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que “se mostrarmos fraqueza hoje diante da Rússia, estaremos preparando o terreno para conflitos futuros” e defendeu uma frente unida da Ucrânia com seus aliados europeus.
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Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
18.08.2025 19:20É bom Zelensky e demais líderes européus ficarem espertos, parece que a palavra de Trump é tão verdadeira quanto uma nota de três dólares.