Zelensky admite discutir territórios, mas rejeita ceder regiões não ocupadas
Essa é a primeira vez que o presidente ucraniano admite publicamente que poderá ceder território para Rússia
A Ucrânia está disposta a discutir alterações territoriais como parte de um acordo de paz para encerrar a invasão russa, mas não abrirá mão de terras que não estejam sob ocupação de Moscou, disse neste domingo, 17, o presidente Volodymyr Zelensky. Essa é a primeira vez que o líder ucraniano admite publicamente que poderá ceder território para Rússia.
“Precisamos de negociações reais”, afirmou o presidente ucraniano em coletiva de imprensa ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas.
“O que significa que elas podem começar onde está a linha de frente agora — a linha de contato é a melhor linha para se falar”, acrescentou.
Segundo o presidente ucraniano, a Rússia não conseguiu conquistar a região de Donetsk, no leste da Ucrânia, alvo de ofensivas desde 2014.
Putin “não conseguiu tomá-la em 12 anos, e a constituição da Ucrânia torna impossível… ceder território ou trocar terras”, disse.
De acordo com o New York Times, Trump disse a líderes europeus acreditar que a paz poderia ser alcançada se Kiev aceitasse abrir mão de partes do leste.
Moscou pressiona pelo controle de Donetsk, mas cidades estratégicas como Sloviansk e Kramatorsk seguem resistindo à invasão russa.
Trump se encontrou com Putin na sexta-feira, 16, no Alasca, e afirmou ter chegado a “acordo em muitos pontos” com o líder russo.
Reunião trilateral
Zelensky disse estar aberto a negociar pessoalmente com Putin em um encontro futuro, mediado por Trump.
“Como a questão territorial é tão importante, deve ser discutida apenas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia em uma reunião trilateral com os Estados Unidos”, disse.
“Até agora, a Rússia não dá sinais de que esse trilateral vá acontecer, e se Moscou recusar, novas sanções devem seguir.”
O presidente ucraniano insistiu que conversas sobre concessões só poderiam ocorrer após um cessar-fogo real.
Na semana passada, o site Politico informou que Kiev só aceitaria discutir trocas territoriais se Moscou se comprometesse — e cumprisse — uma trégua, algo que o Kremlin evita definir.
Líderes europeus, como Von der Leyen, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, acompanharão Zelensky à Casa Branca. O objetivo é alinhar posições antes de um possível acordo impulsionado por Washington.
Na mesma coletiva, Zelensky criticou especulações de que a União Europeia poderia acelerar a adesão da Moldávia ao bloco antes da Ucrânia, enquanto a Hungria mantém veto à candidatura de Kiev.
“Não pode haver divisão entre Ucrânia e Moldávia. Isso seria simplesmente uma jogada muito ruim, na minha visão”, afirmou.
“Se essa divisão acontecer, significará automaticamente que a Europa está dividida sobre a Ucrânia.”
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Comentários (1)
Ernesto Herbert Levy
17.08.2025 18:30Garrincha a Fepla em 1958 quando o técnico descreveu a tática da seleção a ser aplicada contra os rissos: -Mas vocês vombinaram com os russos? Corte para 2025. - Mas vocês só combinaram com os russos?