Warren Buffett encerra doações à Fundação Gates
Bilionário rompe parceria filantrópica de duas décadas após revelações sobre elo entre Bill Gates e Jeffrey Epstein
Warren Buffett decidiu interromper os repasses financeiros à Fundação Gates, e encerrou uma colaboração filantrópica que durava vinte anos, após episódios envolvendo o cofundador da Microsoft, Bill Gates, e o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein virem à tona. A doação será redirecionada a quatro fundações familiares administradas por seus filhos.
De acordo com a Reuters, Buffett destinou cerca de US$ 6 bilhões em ações classe B da Berkshire — 12 milhões de papéis — às fundações comandadas por Susie, Howard e Peter, seus três filhos.
A Fundação Gates não foi mencionada no comunicado, embora tenha recebido mais de US$ 47 bilhões em ações da companhia desde que Buffett assumiu, em carta de 2006, o compromisso “irrevogável” de doar seus recursos ao longo da vida.
No mesmo período, os quatro fundos familiares receberam mais de US$ 17 bilhões em ações. Somente em 2025, os aportes totalizaram acima de US$ 4,5 bilhões para a Fundação Gates e cerca de US$ 2,8 bilhões para as entidades ligadas à família.
Segundo o comunicado divulgado por Buffett, “minhas ações remanescentes serão doadas às quatro fundações de uma forma ou de outra até 31 de dezembro de 2034”.
Fundação agradece apoio histórico
Bill Gates, de 70 anos, viu sua imagem pública abalada depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, em fevereiro, documentos sobre Epstein. Ele não foi acusado de crimes. Buffett já havia revelado à emissora CNBC, em março, que não conversava mais com o amigo desde a publicação dos arquivos.
Em nota, a Fundação Gates afirmou ser “grata a Warren Buffett por suas décadas de apoio ao nosso trabalho”.
A entidade destacou ainda operar em “posição de força financeira”, sustentada por um compromisso de US$ 200 bilhões firmado por Bill Gates, com planos de encerrar suas atividades em 2045. A Berkshire Hathaway não respondeu a pedidos de comentário.
Na carta de 2006, Buffett havia autorizado a fundação a utilizar livremente seus recursos, garantindo que ela poderia expandir permanentemente suas operações com base nessa promessa.
A professora de direito Ray Madoff, do Boston College, avalia que ainda não está claro se Buffett permanece juridicamente obrigado a cumprir o compromisso, já que promessas de doações futuras normalmente não têm força legal sem contrapartida formal.
Buffett já havia informado que, após sua morte, cerca de 99,5% de seu patrimônio remanescente ficará sob responsabilidade de um fundo beneficente administrado por seus herdeiros.
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