Venezuela “jamais” será o 51º estado americano, garante Delcy
Líder interina rejeita proposta de anexação “sugerida por Donadl trump e reafirma compromisso com soberania nacional
Delcy Rodríguez, que assumiu o comando da Venezuela após a prisão do ditador Nicolás Maduro em janeiro, afirmou nesta segunda-feira, 11, que o país jamais cogitará integrar o território americano como estado, em resposta à “sugestão” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível anexação da nação caribenha.
Rejeição em Haia
A declaração foi feita à margem de uma audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, onde a Venezuela disputa com a Guiana o controle do território de Essequibo.
Questionada por uma jornalista da emissora estatal Telesur, Rodríguez foi categórica: “Isso jamais seria considerado porque se há algo que nós, venezuelanos, temos em comum, é o amor pelo nosso processo de independência”.
A líder interina também evocou a história do país para reforçar sua posição. “Continuaremos defendendo a nossa integridade, soberania e independência. Nossa história é de homens e mulheres que deram suas vidas para nos tornar não uma colônia, mas um país livre”, afirmou.
Origem da proposta e relações diplomáticas
Trump publicou em suas redes sociais uma mensagem sugerindo que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado americano. A postagem surgiu após a derrota dos Estados Unidos para a seleção venezuelana na Copa do Mundo de beisebol.
No mesmo dia da declaração de Rodríguez, o jornalista John Roberts, da Fox News, afirmou ter conversado por telefone com o presidente americano: “Ele me disse que está seriamente considerando tornar a Venezuela o 51º estado”.
Apesar do impasse, Rodríguez sinalizou disposição para manter canais abertos com Washington. Segundo ela, o governo venezuelano trabalha em uma agenda de cooperação com a administração Trump desde o restabelecimento das relações diplomáticas em março de 2026 — laços que Maduro havia rompido em 2019.
Disputa por Essequibo
A audiência na CIJ que levou Rodríguez a Haia trata de uma das questões territoriais mais antigas da América do Sul. A Venezuela reivindica o Essequibo, região atualmente sob controle da Guiana, cujo valor estratégico se ampliou após a descoberta de campos de petróleo em alto-mar pela empresa americana ExxonMobil, em 2015. O caso está sob análise da principal instância jurídica da ONU.
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