Vaticano rejeita convite de Trump para ‘Conselho da Paz’
"Para nós, há algumas questões críticas que deveriam ser resolvidas", disse o cardeal Pietro Parolin
O Vaticano não participará do “Conselho da Paz”, grupo internacional criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a resolução de conflitos internacionais.
“Para nós, há algumas questões críticas que deveriam ser resolvidas”, disse o cardeal Pietro Parolin, número dois do Vaticano, sem fornecer mais detalhes.
O comitê foi inaugurado por Trump em janeiro, no Fórum Econômico Mundial de Davos, e até o momento 26 países constam como aderentes ao conselho, entre eles Catar e Egito.
Os membros permanentes devem investir um bilhão de dólares para integrar o organismo.
A iniciativa surgiu inicialmente como um mecanismo para supervisionar a trégua em Gaza e a reconstrução do território, mas teve seu escopo ampliado para a mediação de conflitos globais, o que intensificou críticas diplomáticas.
A primeira reunião está prevista para 19 de fevereiro, um dia após um encontro entre Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Itália descarta adesão
O governo da Itália decidiu não participar do chamado “Conselho de Paz”, proposto por Donald Trump, por considerar que a estrutura do órgão viola a Constituição do país.
A posição foi confirmada neste sábado, 7, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que apontou entraves jurídicos.
Segundo Tajani, a Constituição italiana impede a adesão a organizações internacionais comandadas por um único líder, como prevê o conselho idealizado por Trump.
“Não podemos participar do ‘Conselho de Paz’ porque existe um limite constitucional. Continuamos dispostos a debater iniciativas relacionadas à paz. Estamos prontos para dar nossa contribuição em Gaza e também na formação da polícia”, afirmou o ministro.
O principal problema, de acordo com o chefe da diplomacia italiana, está no Artigo 11 da Constituição, que só autoriza a participação do país em organismos internacionais quando há igualdade entre os Estados-membros.
No Conselho de Paz, Trump teria poder decisório central e direito de veto, o que, segundo Tajani, configura um “obstáculo insuperável do ponto de vista jurídico”.
A posição italiana já havia sido antecipada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que alertou para “problemas, especialmente de caráter constitucional” na configuração atual do conselho.
França, Alemanha e Reino Unido também optaram por não integrar o órgão.
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