Ultraortodoxos de Israel deixam o governo de Netanyahu
Netanyahu tem pouco tempo para salvar sua coalizão. A disputa sobre o serviço militar para judeus ultraortodoxos está se intensificando
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta dificuldades crescentes para manter o controle sobre sua coalizão governamental.
Na noite de segunda-feira, 14 de julho, ele deixou seu julgamento por corrupção em Tel Aviv para se encontrar com Yuli Edelstein, presidente da Comissão de Defesa do Parlamento, em Jerusalém.
O objetivo da reunião era persuadir Edelstein a buscar uma solução para a controvérsia que divide o país: a inclusão dos ultraortodoxos no serviço militar.
Apesar das tentativas de Netanyahu, Edelstein manteve sua posição firme. O projeto de lei que visa o recrutamento dos Haredim não conseguiu conquistar o apoio dos representantes políticos da comunidade ultraortodoxa.
Como resultado, na mesma noite, o partido Unido da Torá anunciou sua saída do governo e da coalizão.
Com essa retirada, a coalizão de Netanyahu conta agora com apenas 61 dos 120 assentos da Knesset. A maior parte ultraortodoxa, Shas, também pode deixar a aliança nesta semana, o que deixaria Netanyahu com apenas 50 parlamentares e sem maioria.
As declarações de saída apresentadas pelos ultraortodoxos levarão 48 horas para se tornarem efetivas, reduzindo drasticamente o tempo disponível para Netanyahu encontrar uma solução viável.
Com isso, Israel se aproxima rapidamente de uma possível configuração de governo minoritário e até mesmo de novas eleições antecipadas.
O partido Unido da Torá, embora tenha saído do governo, não manifestou apoio explícito a uma convocação antecipada das urnas. O mais provável, portanto, é que o país enfrente um governo minoritário e que a coalizão entre em colapso após o término do recesso parlamentar no final de julho.
O recesso da Knesset se estende até outubro e durante esse período não será possível aprovar novas leis ou dissolver o parlamento. Se não houver um acordo sobre o recrutamento dos homens ultraortodoxos antes do fim do recesso, a situação poderá culminar em uma ruptura total do governo.
É importante notar que os partidos ultraortodoxos não são as únicas forças instáveis na coalizão de Netanyahu. Os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir também ameaçaram deixar o governo caso haja concessões relacionadas a um cessar-fogo com o Hamas.
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