UE e Reino Unido punem Rússia por ciberataques
Londres e Bruxelas impõem sanções conjuntas após atribuir ao Serviço de Inteligência Russo ofensivas digitais contra países europeus
Nações da União Europeia e o governo britânico formalizaram nesta segunda-feira, 13, um pacote conjunto de sanções contra a Rússia, em resposta a uma série de ataques cibernéticos registrados em território europeu.
A medida responsabiliza o Serviço de Inteligência Tusso (FSB) pelas ofensivas e atinge nove pessoas e quatro entidades pelo lado europeu, além de 24 nomes incluídos na lista britânica.
Alvo: infraestrutura crítica e órgãos governamentais
De acordo com a União Europeia, países como França, Alemanha, Polônia, Chipre, Holanda, Áustria, Eslováquia, Romênia e Finlândia vêm sofrendoataques digitais russos há vários anos. Governos europeus classificam essas ações como parte de uma estratégia para captar informações sigilosas ou comprometer operações estratégicas.
Um dos casos citados envolve a Polônia, onde uma tentativa de invasão ao sistema elétrico foi atribuída ao FSB. Segundo a Deutsche Welle, o episódio teria risco de deixar meio milhão de pessoas sem aquecimento durante o inverno mais recente.
As sanções abrangem o congelamento de bens e a proibição de vistos para integrantes da agência de inteligência militar russa GRU, bem como para supostos operadores digitais que atuariam a serviço do Estado russo.
O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, mencionou ainda que a lista inclui “um grupo que reivindicou ações de desestabilização contra os Jogos Olímpicos de Paris-2024”.
Primeira ação cibernética coordenada desde o Brexit
O pacote é apontado como a estreia de uma cooperação direta entre União Europeia e Reino Unido no campo da segurança digital, marco relevante considerando que Londres deixou o bloco europeu em 2020. Autoridades britânicas descreveram o objetivo da medida como resposta às tentativas “persistentes e cada vez mais imprudentes” do Estado russo de gerar instabilidade no continente.
Como reação diplomática, a Alemanha convocou o embaixador russo em Berlim. Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão declarou que a convocação ocorreu “em conexão com ataques cibernéticos hostis”. A França também anunciou que fará o mesmo procedimento com o representante diplomático russo em Paris.
O chanceler francês afirmou que seu país identificou as investidas, direcionadas a ministérios, empresas e operadoras de serviços, e que reforçou os mecanismos de proteção contra esse tipo de ameaça. Paris confirmou apoio à aplicação das sanções contra os nove indivíduos e as quatro entidades apontados pela União Europeia como participantes da campanha coordenada pelo FSB.
O FSB já havia sido citado anteriormente por serviços de inteligência europeus por uso de programas maliciosos ao longo de décadas, com o propósito de obter acesso não autorizado a sistemas de outros países e realizar atividades de espionagem.
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