Trump diz que venezuelanos não estão prontos para votar
Presidente americano descarta eleições próximas no país, elogia Delcy Rodríguez e fala de avanços na produção de petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 24, que a Venezuela não tem condições de realizar eleições no momento, mesmo após a captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro. Segundo Trump, “eles ainda não estão prontos para [as eleições], mas muito progresso foi feito”.
O presidente americano destacou o trabalho da líder interina, ex vice de Maduro, que assumiu o comando do país após a queda de Maduro: “Delcy [Rodríguez] está fazendo um trabalho fantástico, como vocês sabem”, disse.
Trump também mencionou o volume crescente de petróleo exportado pela Venezuela, mesmo antes da chegada de grandes companhias ao setor: “A quantidade de petróleo que está saindo da Venezuela neste momento, mesmo antes de todas as grandes empresas começarem a operar lá… É um território muito fértil”, declarou.
Ele acrescentou que o país vizinho tem registrado ganhos financeiros expressivos, parte dos quais beneficiando também os Estados Unidos: “A quantidade de lucro que os venezuelanos estão tendo, muito mais do que jamais tiveram. E estamos pegando bastante também por nossos esforços. O petróleo está sendo enviado para Houston [cidade no Texas, nos EUA] e para [o estado americano de] Louisiana para ser refinado. [Com isso,] já pagamos pela guerra muitas vezes”, afirmou.
Direitos humanos e oposição
Apesar da liberação de presos políticos e do fechamento do Helicóide, antigo centro de tortura, entidades de direitos humanos apontam que dezenas de pessoas seguem detidas sem julgamento desde a mudança de governo.
Um levantamento da missão de investigação da ONU sobre a Venezuela, divulgado em março, concluiu que as estruturas responsáveis por violações de direitos humanos permanecem ativas no país.
A advogada Maria Eloisa Quintero, integrante da missão, avaliou na ocasião: “Não se pode dizer que a Venezuela esteja verdadeiramente no caminho da reforma dos direitos humanos enquanto esse aparato repressivo não for desmantelado”.
No campo político, Trump desestimulou planos da opositora María Corina Machado de repassar o poder a Edmundo González, apontado como vencedor da eleição de 2024. Segundo o presidente, ela “não tem o suporte ou respeito do povo”, apesar de classificá-la como “uma mulher muito legal”.
Machado, que vive fora do país desde o agravamento da repressão em 2024, voltou a se manifestar publicamente após o terremoto que deixou ao menos 5.398 mortos confirmados na Venezuela. Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sugeriu que a opositora poderá ter função na futura reconciliação nacional venezuelana.
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