Trump dá sermão em presidente sul-africano por suposto “genocídio” de brancos
Trump recebeu o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, cujo governo ele acusa de "genocídio" contra fazendeiros brancos. Com um vídeo, ele transformou a reunião em um tribunal público
No cenário político atual, a visita do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa a Washington foi marcada por tensões inesperadas. Durante o encontro com Ramaphosa, ficou evidente que o objetivo de Trump era provocar seu convidado.
Durante a recepção, Trump apresentou um vídeo destinado a respaldar suas alegações sobre um suposto “genocídio” contra fazendeiros brancos na África do Sul.
Em resposta, Ramaphosa procurou manter uma postura conciliadora, trazendo consigo como presente um volumoso livro sobre os campos de golfe sul-africanos, ressaltando sua apreciação pela generosidade americana durante a pandemia de Covid-19, quando Trump enviou ventiladores para seu país.
O presidente sul-africano enfatizou as potencialidades econômicas de sua nação, mencionando recursos como terras raras e outros produtos que poderiam fortalecer a relação bilateral. No entanto, ele evitou abordar diretamente as acusações de genocídio feitas por Trump. O foco de Ramaphosa foi ressaltar a amizade e colaboração entre os dois países.
A atmosfera tensa do encontro se intensificou quando uma jornalista perguntou a Trump o que seria necessário para convencê-lo de que não existe genocídio contra brancos na África do Sul.
Ramaphosa interveio prontamente, sugerindo que Trump ouvisse as vozes dos sul-africanos presentes, argumentando que a presença deles desmentia as alegações do presidente americano.
“Milhares de histórias”
Trump insistiu em afirmar ter “milhares de histórias” documentando sua afirmação de genocídio e solicitou que as luzes do escritório oval fossem diminuídas para exibir um vídeo contendo discursos inflamados de políticos da oposição.
Apesar das tentativas de Ramaphosa para esclarecer que esses comentários não refletem a política governamental, Trump se manteve firme em suas alegações.
Ramaphosa destacou que a retórica apresentada no vídeo provinha de uma minoria política e reiterou o compromisso de seu governo com uma democracia pluralista.
Ele também trouxe à tona questões mais amplas sobre criminalidade na África do Sul, destacando que a maioria das vítimas não são brancas.
Para corroborar seus argumentos, chamou ao palco seu ministro da Agricultura, John Steenhuisen, que reforçou a necessidade de mais segurança para todos os agricultores.
As conversas avançaram com o empresário sul-africano Johann Rupert ressaltando que o problema da violência é mais complexo e abrange todos os cidadãos sul-africanos.
Forma “inversa” de apartheid
Rupert sugeriu que tecnologias modernas poderiam ajudar no combate à criminalidade rural e propôs soluções inovadoras envolvendo a parceria com empresas tecnológicas como a Starlink de Elon Musk.
No entanto, Trump permaneceu cético. Ele afirmou que a África do Sul estava vivenciando uma forma “inversa” de apartheid e alegou que muitos brancos estavam deixando o país em busca de segurança nos Estados Unidos.
Recentemente, Washington concedeu asilo a um grupo de 59 fazendeiros brancos sul-africanos.
O evento deveria ter duração curta, mas acabou se estendendo por mais de uma hora devido às intensas trocas de opiniões sobre as questões internas da África do Sul.
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