Trump confronta presidente sul-africano com vídeos sobre “genocídio branco”
Republicano exibiu imagens de supostas perseguições contra brancos na África do Sul, em encontro com Cyril Ramaphosa
Durante uma reunião na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou mais uma cena inusitada ao apresentar vídeos ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, sobre supostos episódios de perseguição contra pessoas brancas em seu país.
Os assessores do republicano diminuíram a iluminação do Salão Oval, a pedido de Trump, para exibir imagens sobre alegadas ações contra brancos, entre elas a de um político comunista cantando uma música antiapartheid sobre matar um fazendeiro.
“As pessoas estão fugindo da África do Sul por segurança (…) As suas terras estão a ser confiscadas e, em muitos casos, estão sendo mortas”, afirmou o presidente americano.
“Eles te disseram onde é isso, senhor presidente? Eu gostaria de saber de onde veio isso, porque isso eu nunca vi”, respondeu Ramaphosa, após a exibição dos conteúdos.
Trump também mostrou aos jornalistas presentes manchetes de supostos assassinatos de fazendeiros brancos da África do Sul.
“Somos completamente contra isso”, rebateu o presidente sul-africano.
Após a exibição dos vídeos, os dois líderes ficaram aproximadamente dez segundos em silêncio.
Leia mais: “EUA recebem sul-africanos brancos com status de refugiados”
EUA recebem refugiados
Em 12 de maio, um avião com dezenas de sul-africanos brancos reconhecidos como refugiados desembarcou em Washington, nos Estados Unidos.
O governo Trump concedeu proteção a 49 sul-africanos que afirmam ter sido vítimas de violência por causa de sua cor de pele.
Segundo os refugiados, eles enfrentam discriminação por serem brancos, especialmente na disputa por terras no país.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, sancionou uma lei que permite a expropriação de terras sem compensação.
Atualmente, as pessoas brancas possuem cerca de metade das terras agrícolas do país.
Segundo o Departamento de Estado americano, mais de 8.000 consultas de sul-africanos já fizeram consultas sobre o processo de refúgio até março deste ano.
A concessão do benefício ocorre em meio à suspensão da entrada de refugiados de países africanos em guerra, entre os quais o Sudão e o Congo.
Reações
Críticos do presidente americano Donald Trump acusam o republicano de favorecer apenas um grupo étnico.
Segundo eles, o acolhimento também agrava as tensões diplomáticas entre a África do Sul e os Estados Unidos.
Recentemente, Trump criticou o alinhamento da política externa sul-africana com o regime do Irã.
Além disso, o republicano assinou um decreto eliminado a assistência financeira dos Estados Unidos à África do Sul, após o país apresentar uma acusação de genocídio contra Israel no Tribunal Penal Internacional (TPI).
Trump também reprovou a política fundiária adotada por Ramaphosa.
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