Trump agora se arma no espaço
A Rússia, por sua vez, é acusada de ter lançado uma arma orbital com poder de destruir constelações inteiras de satélites
O espaço entrou, de vez, no alvo das potências militares. Segundo matéria da Economist, o Comando Espacial dos Estados Unidos, recriado em 2019 no primeiro mandato de Donald Trump, agora atua como um comando de combate, pronto para a guerra.
A novidade é que essa prontidão não é apenas retórica.
Para exemplificar, EUA e França conduziram, no fim do ano passado, uma operação calculada de aproximação de seus satélites militares sobre um satélite inimigo, provavelmente russo, para testar capacidades ofensivas e de interagirem de forma compartilhada, trocando dados e informações.
Mais do que um gesto técnico, foi um recado estratégico. Ao que se sabe, pela primeira vez Washington realizou uma manobra desse tipo com um país fora do grupo Five Eyes, a aliança de espionagem entre EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, sinalizando a expansão da sua atuação.
A operação, teria sido tão bem-sucedida que deve se repetir ainda este ano, em um novo exercício conjunto.
Essa escalada tem justificativa: os EUA veem a China como a principal ameaça em órbita, com crescimento exponencial de lançamentos e capacidade de guerra eletrônica no espaço.
A Rússia é acusada de ter lançado ao espaço uma arma orbital com poder de destruir constelações inteiras de satélites em baixa órbita.
Por sua vez, China e Rússia criticam os EUA em 2019 e seus testes de armas antissatélites, como o de 2008, que gerou detritos, alegando que Washington intensifica a corrida armamentista espacial e busca dominância militar, enquanto rejeitaria propostas de tratados para proibir armas espaciais.
Agora os EUA também querem armas orbitais que possam interceptar outros satélites, de preferência com inteligência artificial embarcada para tornar seus equipamentos mais autônomos e eficientes para se defender e, se necessário, atacar.
A militarização do espaço não é mais teoria, é plano de governo, estratégia em curso, conforme enfatiza The Economist.
O que está em jogo não são apenas comunicações ou navegação, mas o domínio de uma infraestrutura fundamental às futuras guerras modernas.
Aquela era romântica da corrida espacial e da diplomacia orbital parece ter dado lugar a uma nova corrida armamentista, e o tom adotado pela Rússia, China e agora EUA e Europa deixa isso bastante evidente.
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