“Trajetória positiva”, diz Rubio sobre diálogo com Brasil
Secretário de Estado admitiu "alguns desentendimentos", mas destacou evolução no relacionamento entre os países
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (foto), afirmou nesta sexta-feira, 19, que o relacionamento com o Brasil “está em uma trajetória positiva” após “alguns desentendimentos”.
Em entrevista a jornalistas, Rubio destacou a boa relação entre os presidentes Lula e Donald Trump e revelou ter conversado com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no início desta semana.
“Você sabe, o presidente [Donald Trump] teve duas conversas telefônicas e uma reunião com o presidente Lula. Acho que progredimos em algumas coisas, incluindo no comércio. Temos mais trabalho a ser feito. Os dois presidentes se deram bem, sentimos que era importante termos essas conversas. Eu conversei com Mauro [Vieira], seu ministro das Relações Exteriores, inclusive no início desta semana. Temos questões em comum com o Brasil nas quais gostaríamos de trabalhar juntos e ligações fortes.
Eu sou da Flórida, por exemplo, eu sei o quanto importante o Brasil tem sido para nós como parceiro. Tivemos alguns desentendimentos sobre algumas coisas ao longo dos anos, mas eu sinto que esse relacionamento está em uma trajetória positiva. Mas sobre o seu papel sobre a Venezuela, eu não tenho nada para lhe fornecer sobre isso hoje”, afirmou Rubio.
Amigo de Trump?
Na quinta, 18, Lula disse que virou amigo de Trump.
O petista afirmou, em coletiva de imprensa, que“dois homens com 80 anos de idade não têm por que brigar” e que tudo será resolvido na base do diálogo.
“Todos vocês pensaram que eu ia entrar em guerra com o Trump. O Trump virou meu amigo. Com um pouco de conversa, dois homens de 80 anos de idade não têm porque brigar. Então, nós estamos conversando direitinho, vocês podem ficar certo de que tudo vai se acertar. Sem nenhum tiro, sem nenhuma arma, sem nenhuma bomba, sem nenhum navio bloqueando a costa brasileira. Eu disse pro presidente Trump: ‘O poder da palavra é mais forte do que qualquer arma que vocês possam ter’. É só saber utilizá-lo e a gente vai conseguir resolver grande parte dos problemas que a gente tem na política se a gente tiver a capacidade de dialogar, sobretudo a capacidade de ouvir e de entender as pessoas como elas são e não como a gente gostaria que elas fossem“, afirmou.
Fim da Magnitsky
Após retomar o diálogo com os Estados Unidos, Lula conseguiu que Donald Trump recuasse no tarifaço aplicado aos produtos brasileiros.
Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram retirados na sexta, 12 da lista de sanções do governo dos Estados Unidos.
Uma nota falando sobre a remoção foi divulgada pelo Departamento do Tesouro sem explicar os motivos.
Além de Moraes e Viviane, também foi retirado da lista do Lex Instituto de Estudos Jurídicos.
O recuo de Trump
Trump anunciou, em 20 de novembro, a retirada das tarifas de extras de 40% sobre alguns produtos brasileiros.
A lista inclui carne bovina, café, açaí, cacau, frutas, vegetais, nozes e diversos outros produtos.
Ao todo, são 249 itens acrescentados à lista de exceções do tarifaço aplicado ao Brasil.
Leia também: O que está por trás do alívio tarifário de Trump para o Brasil
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