The Line: o erro bilionário que a Arábia Saudita não quer que você conheça

24.06.2026

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The Line: o erro bilionário que a Arábia Saudita não quer que você conheça

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 23.06.2026 18:03 comentários
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The Line: o erro bilionário que a Arábia Saudita não quer que você conheça

O megaprojeto mostra como renderizações futuristas, ambição bilionária e limites físicos podem transformar uma cidade dos sonhos em uma cicatriz no deserto

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The Line: o erro bilionário que a Arábia Saudita não quer que você conheça
Cidade espelhada linear no deserto vira canteiro de obras paralisado.

Já imaginou uma cidade de 170 km de comprimento, totalmente revestida de espelhos, sem carros e sem ruas, abrigando 9 milhões de pessoas no meio do deserto? Esse era o sonho da The Line, projeto mais ambicioso da megacidade saudita Neon, e hoje o que restou dele é uma vala gigantesca aberta na areia, depois de consumir dezenas de bilhões de dólares.

O que era a visão por trás da The Line

O projeto nasceu da ambição do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de preparar a Arábia Saudita para um futuro menos dependente do petróleo. A resposta foi criar a Neon, uma zona econômica especial do tamanho de um país, construída do zero no deserto.

Dentro dessa iniciativa, a The Line seria a peça central, uma cidade vertical e linear de 200 metros de largura e 500 metros de altura, descrita como uma estrutura semelhante a uma faca gigante apontada para o horizonte.

Príncipe herdeiro planejou metrópole futurista livre de combustíveis fósseis.

Por que a engenharia não conseguiu acompanhar a ambição

Segundo informações do Financial Times, decisões importantes do projeto eram tomadas com base quase exclusiva em renderizações 3D, deixando estudos de viabilidade e engenharia detalhada em segundo plano. Muitas das características mais extremas teriam vindo diretamente do príncipe herdeiro.

O revestimento espelhado virou um dos maiores obstáculos. A fachada exigiria 170 milhões de metros quadrados de vidro espelhado, volume que o maior fabricante do mundo levaria cerca de 200 anos para produzir por completo.

Leia também: O ágil caçador de orelhas pontiagudas e cauda curta vigia os campos de Portugal; ele é considerado um dos felinos mais raros e ameaçados da Terra

Quais números explicam o colapso do projeto

Além do vidro, o aço também se tornou um problema crítico. Apenas para erguer as fundações, a obra teria consumido cerca de 20% de toda a produção mundial de aço, antes mesmo da construção de qualquer andar.

Esses gargalos ajudam a explicar por que os custos saíram do controle ao longo dos anos. Entre os principais números que mostram a escalada do projeto, estão:

Métrica / Indicador Detalhes / Status do Projeto (NEOM)
Estimativa de Custo Inicialmente projetada em 500 bilhões de dólares, a estimativa oficial posteriormente subiu para 1 trilhão de dólares.
Aporte Executado Cerca de 50 bilhões de dólares já foram gastos antes da paralisação das obras.
Quadro de Funcionários Mais de mil funcionários da Neon foram demitidos em 2024.
Financiamento Externo Houve falta de investimento estrangeiro suficiente para sustentar a execução continuada do projeto.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Tecno Lab 360 falando sobre o ambicioso projeto The Line, da Arábia Saudita.

O que sobrou no deserto e o que pode ser reaproveitado

A vala de 170 km provavelmente deve permanecer no deserto por décadas, já que não há uso óbvio para ela e preenchê-la custaria bilhões. Fábricas de pré-moldados criadas especificamente para o projeto também tendem a perder função.

Por outro lado, parte da infraestrutura pode ganhar nova utilidade. As comunidades construídas para abrigar trabalhadores, por exemplo, podem ser reaproveitadas na preparação da Copa do Mundo de 2034, que a Arábia Saudita vai sediar.

O que esse fracasso ensina sobre megaprojetos

A história da The Line, assim como de outros projetos da Neon como Sindala, Chagon e Trogena, revela um padrão preocupante: visão antes de viabilidade, imagem antes de engenharia. O resultado não foi apenas financeiro, já que comunidades inteiras, incluindo membros da tribo Huaitat, foram deslocadas à força durante o processo.

No fim, a lição é dura e impossível de ignorar: dinheiro, poder e ambição não bastam para vencer as leis da física, da logística e da economia. Quando a grandiosidade ultrapassa a realidade, o que fica não é uma cidade do futuro, mas uma cicatriz permanente na paisagem, e talvez seja exatamente isso que o mundo precise ver para repensar até onde a ambição pode ir sem perder o contato com o possível.

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