Tailândia e Camboja negociam cessar-fogo
Desde quinta-feira, combates deixaram mais de 30 mortos e forçaram a evacuação de mais de 160 mil civis
O primeiro-ministro interino da Tailândia, Phumtham Wechayachai, e o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, vão se reunir nesta segunda-feira, 28, em Kuala Lumpur, na Malásia, para negociar um cessar-fogo após quatro dias de confrontos armados ao longo da fronteira entre os dois países.
A mediação será feita pelo premiê malaio, Anwar Ibrahim, que ocupa atualmente a presidência rotativa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A informação foi confirmada neste domingo, 27, por autoridades tailandesas e cambojanas.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores da Malásia, Mohamad Hasan, ambos os líderes “têm plena confiança na Malásia” e solicitaram sua atuação como mediadora. Hasan afirmou ainda que os dois países concordaram que “nenhum outro país se devia envolver neste assunto”.
Desde quinta-feira, 24, os combates deixaram ao menos 34 mortos e forçaram a evacuação de mais de 160 mil civis. O conflito ocorre em uma região de fronteira disputada há décadas, marcada por ruínas históricas e templos reivindicados por ambos os lados. O trecho foi originalmente demarcado pela França, durante o período colonial.
Apoio dos Estados Unidos
O Departamento de Estado americano informou que o secretário Marco Rubio conversou neste domingo com os ministros das Relações Exteriores da Tailândia e do Camboja, e pediu a redução das tensões. Em comunicado, o governo dos EUA afirmou:
“Os Estados Unidos estão preparados para facilitar futuras discussões a fim de garantir a paz e a estabilidade entre a Tailândia e o Camboja.”
O presidente Donald Trump também se manifestou sobre o conflito. No sábado, 26, afirmou em sua rede social Truth Social:
“Acabei de ter uma conversa muito boa com o premiê do Camboja e o informei sobre minhas discussões com a Tailândia e seu premiê interino. Ambos os países estão buscando um cessar-fogo e paz imediatos. Elas também querem voltar à ‘mesa de negociações comerciais’ com os Estados Unidos, o que consideramos inadequado até que os combates PAREM. Eles concordaram em se reunir imediatamente e trabalhar rapidamente em um cessar-fogo e, no fim, na PAZ!”
Na mesma plataforma, Trump disse estar tentando “simplificar uma situação complexa” e comparou os confrontos ao conflito entre Índia e Paquistão.
“Muitas pessoas estão sendo mortas nesta Guerra, mas isso me lembra muito o Conflito entre o Paquistão e a Índia, que foi interrompido com sucesso”, escreveu.
Disputa histórica
As disputas envolvem a posse de templos e sítios arqueológicos localizados em regiões cujos limites nunca foram totalmente definidos.
O Camboja já buscou decisões da Corte Internacional de Justiça (CIJ), mas a Tailândia não reconhece a jurisdição da corte sobre parte da região.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)