Suspeita de atentado em Mônaco é morta a tiros na Ucrânia
Anastasiia Berezovska estava foragida desde explosão que feriu empresário e família; dois homens foram detidos por seu assassinato
O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) confirmou nesta terça-feira, 7, a localização do corpo de Anastasiia Berezovska, cidadã ucraniana apontada como suspeita do atentado a bomba ocorrido em Mônaco no fim de junho.
A vítima, que era procurada pelas autoridades do principado, foi encontrada com ferimentos de bala na cabeça. Dois homens, um deles ligado à inteligência militar ucraniana, foram presos sob acusação de tê-la matado.
Investigação aponta transferências financeiras
Segundo o SBU, Berezovska havia entrado na Ucrânia em 1º de julho e passou a manter contato com familiares e com dois homens: um funcionário do Serviço de Inteligência Militar (GUR) e um ex-integrante das forças de segurança. A atenção dos investigadores recaiu sobre a dupla após a identificação de repetidas transferências bancárias e em criptomoedas destinadas a contas da mulher.
Durante os interrogatórios, o agente do GUR admitiu ter participado da morte de Berezovska ao lado do ex-policial. Este último, por sua vez, alegou ter agido por iniciativa própria, sem relatar aos superiores os contatos mantidos com a suspeita nem as movimentações financeiras registradas em seu favor.
Uma busca realizada na casa do ex-agente revelou um porão que, segundo o SBU, aparentava ter sido usado como espaço de tortura. O órgão informou ainda que todo o material apurado foi repassado às autoridades de Mônaco, que seguem à frente do processo.
Alvo do ataque nega ligação com a Rússia
O atentado que motivou a caçada à suspeita atingiu Vadim Yermolaiev, empresário de 58 anos nascido na Ucrânia e hoje radicado em Mônaco. A explosão, cuja data exata não foi mencionada pela fonte além de ter ocorrido “no fim do mês passado”, feriu o próprio Yermolaiev, sua esposa e o filho do casal, de 13 anos.
Yermolaiev figura entre os empresários mais destacados de Dnipro, com negócios nos setores agroindustrial, imobiliário, de materiais de construção e de equipamentos médicos. Ele deixou de ser cidadão ucraniano em 2017 e passou a ter apenas nacionalidade cipriota, residindo no principado mediterrâneo desde 2022, início da invasão russa ao país de origem.
Em 2023, o presidente Volodimir Zelenski impôs sanções contra o empresário, sob justificativa de que caberiam restrições a quem apoiasse ou facilitasse a atuação da Rússia.
Yermolaiev nega qualquer colaboração com o regime de Putin, inclusive as acusações de manter, por meio de intermediários, um negócio de bebidas alcoólicas na Crimeia após a anexação da península em 2014.
As investigações sobre quem teria ordenado a tentativa de assassinato em Mônaco continuam em curso, conforme informado pelo órgão ucraniano.
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