Mortes por drogas na Alemanha aumentam entre jovens
Quase um quarto das vítimas tinha menos de 30 anos em 2025, aponta levantamento: “A banalização do consumo tem um preço”
A Alemanha registrou pelo menos 2.150 pessoas mortes só no último ano em decorrência do consumo de drogas, o que mantém o país em nível recorde de óbitos ligados a entorpecentes. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 7, em Berlim, pelo encarregado federal para drogas, Hendrik Streeck, com destaque para o crescimento expressivo de mortes entre jovens.
Faixa etária mais jovem cresce
Entre as vítimas com menos de 30 anos, foram contabilizados 528 casos em 2025, o dobro do total verificado em 2021. Essa faixa etária já representa quase 25% de todos os óbitos por drogas no país.
O agravamento é ainda mais nítido entre os menores de 20 anos: as mortes nesse grupo passaram a somar 106 casos, praticamente o dobro do registrado quatro anos antes. Já entre pessoas de 20 a 29 anos, foram 422 óbitos.
Segundo Streeck, “o que mais me preocupa é que as vítimas estão cada vez mais jovens”. O especialista apontou que, desde 2021, as mortes por drogas entre menores de 30 anos cresceram mais de 50%, enquanto o aumento chegou a quase 100% entre os menores de 20 anos.
Do total de vítimas em 2025, 1.777 eram homens, mantendo a predominância masculina observada nos registros anteriores.
Combinação de substâncias e cocaína
De acordo com o levantamento, 81,5% de todas as mortes relacionadas a drogas em 2025 ocorreram após o uso simultâneo de mais de uma substância. Muitos dos jovens que morreram haviam consumido medicamentos combinados com outras drogas ou álcool.
Streeck afirmou que “a banalização do consumo de drogas tem um preço, e é isso que estamos vendo. Jovens misturam medicamentos, álcool e outras substâncias, muitas vezes sem conhecer os riscos fatais dessas combinações”. Ele disse ainda que parte dos jovens não consegue avaliar plenamente os perigos dessas misturas.
O uso de cocaína e crack também subiu entre os casos fatais: as mortes ligadas a essas substâncias somaram 769 em 2025, mais que o dobro do patamar de 2021.
Para Streeck, “o mercado de drogas mudou profundamente”. Segundo ele, “drogas, medicamentos falsificados e misturas de altíssimo risco hoje estão a apenas alguns cliques de distância. O traficante da esquina já não é o único problema”.
O encarregado federal defendeu o reforço de medidas de prevenção, maior acesso a tratamento em estágio inicial e a criação de um sistema de apoio capaz de alcançar jovens antes de situações fatais.
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