“Se você é judeu, não está seguro”, diz rabino-chefe britânico
Série de incidentes antissemitas em Londres e Manchester pressiona governo britânico a agir
Uma sequência de ataques contra membros da comunidade judaica elevou o nível de alerta no Reino Unido ao patamar de emergência de segurança nacional. O mais recente ocorreu ontem, 29, quando dois homens judeus foram esfaqueados em Golders Green, norte de Londres, em um incidente classificado como terrorismo pela Polícia Metropolitana.
As vítimas — Shilome Rand, 34, e Moshe Shine, 76 — receberam atendimento no local e foram hospitalizadas em estado estável. Um cidadão britânico nascido na Somália, de 45 anos, foi detido após ser imobilizado com uma arma de choque.
Uma sequência de episódios
O esfaqueamento em Golders Green não é um evento isolado. Desde o início de abril de 2026, a região londrina registrou ao menos quatro incidentes graves: um ataque incendiário a um muro memorial em 27 de abril; o lançamento de uma garrafa com acelerante contra a Kenton United Synagogue em 18 de abril; o arremesso de tijolos e garrafas com gasolina contra a Finchley Reform Synagogue em 15 de abril; e o incêndio de quatro ambulâncias de uma instituição de caridade judaica em 23 de março.
O episódio mais letal da série ocorreu em 2 de outubro de 2025, fora de uma sinagoga em Manchester, no Yom Kippur — a data mais sagrada do calendário judaico. Duas pessoas morreram e outras três ficaram em estado grave após um ataque com carro e facas. Um dos agressores foi morto pela polícia.
Pressão sobre o governo
Jonathan Hall, revisor independente do governo britânico para legislação de terrorismo e ameaças do Estado, afirmou à BBC que a situação representa “a maior emergência de segurança nacional” desde 2017. “Há britânicos em Londres, em particular, em Manchester, mas provavelmente em todo o país, que agora estão pensando que não podem viver uma vida normal. E não se trata de um único ataque, são múltiplos ataques”, disse.
O primeiro-ministro Keir Starmer presidiu uma reunião de emergência após o esfaqueamento de 29 de abril e afirmou que “ataques contra a nossa comunidade judaica são ataques contra a Grã-Bretanha”.
Starmer sinalizou a intenção de revisar medidas de segurança e aumentar o financiamento para a proteção de comunidades judaicas, além de adotar providências contra “atores estatais mal-intencionados” — referência às autoridades que vinculam parte dos ataques a grupos ligados ao Irã.
O rabino-chefe britânico, Ephraim Mirvis, afirmou que o quadro atual “prova que, se você é visivelmente judeu, não está seguro”, e pediu “ações concretas” para combater as “causas profundas” do antissemitismo no país.
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