Rússia tenta conter drones ucranianos bloqueando sinal da Starlink
Interferência e camuflagem de comboios marcam nova fase do conflito na Ucrânia
Forças russas passaram a empregar sistemas de guerra eletrônica capazes de afetar conexões da Starlink, tecnologia de internet via satélite usada por drones ucranianos de médio alcance. A informação foi publicada pela agência Reuters nesta quarta-feira, 8.
Os drones ucranianos atingem alvos entre 25 e 200 quilômetros além da linha de frente e têm comprometido rotas que abastecem tropas russas no sul e no leste do território ucraniano, incluindo a Crimeia, península anexada por Moscou em 2014.
A região enfrenta escassez de combustível após ataques a depósitos, instalações de defesa aérea e centros de comando.
Interferência eletrônica na Crimeia
O equipamento identificado como responsável pelas novas ações russas é o sistema Volna Kupol Garant, que emite sinal capaz de comprometer a conexão Starlink em um raio aproximado de 20 quilômetros quadrados.
Segundo Serhii Beskrestnov, conselheiro do Ministério da Defesa da Ucrânia, ouvido pela Reuters, trata-se de um avanço relevante, já que a tecnologia da SpaceX era considerada até então praticamente invulnerável a bloqueios.
O Ministério da Defesa ucraniano afirma ter identificado dez dispositivos desse tipo instalados pela Rússia, alguns próximos a cidades e instalações militares. Tropas ucranianas passaram a mirar esses equipamentos: um ataque registrado em vídeo mostrou explosão após drone atingir estrutura com seis contêineres do tamanho de trailers.
Um comandante do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados, que atua na região de Zaporíjia, relatou à Reuters o efeito da ação: “Assim que atingimos essa instalação, nossos drones equipados com Starlink voaram sem problemas”.
Disfarce de combustível e reforço na escolta
Além da interferência eletrônica, o exército russo recorre a métodos alternativos para movimentar suprimentos sem serem detectados. Combustível e material militar têm sido transportados em veículos civis, como caminhões identificados para o transporte de água ou leite, além de carros pequenos, quadriciclos e motocicletas.
Postos de gasolina civis também têm sido usados como pontos de armazenamento de combustível militar, enquanto galpões agrícolas, prédios abandonados e abrigos camuflados escondem parte dos estoques. Comboios de caminhões-tanque passaram a contar com escolta de picapes armadas com metralhadoras, e rotas alternativas, fora das estradas principais, têm sido priorizadas.
Mudança de cenário desde o início do ano
O quadro atual é resultado de uma alteração ocorrida no início de 2026, quando a SpaceX suspendeu o acesso não autorizado de forças russas à rede Starlink. A medida prejudicou operações de drones e comunicações do lado russo, favorecendo a Ucrânia em ataques de precisão.
Rob Lee, pesquisador do Programa Eurásia do Foreign Policy Research Institute, avaliou à Associated Press que o bloqueio “foi um dos desenvolvimentos mais significativos no campo de batalha neste ano”.
De acordo com um interlocutor identificado apenas como “Pharaon”, o índice de sucesso das missões ucranianas de médio alcance passou a ser de oito em cada dez operações, invertendo um padrão observado meses antes, quando a maioria das tentativas falhava.
A ofensiva ucraniana, segundo comandantes citados na reportagem, tornou parte do corredor terrestre entre a Rússia e a Crimeia mais arriscado para deslocamentos, obrigando tropas russas a recorrer a trajetos mais longos e menos eficientes para manter o abastecimento nas áreas de combate.
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