Médico é condenado à prisão perpétua na Alemanha
Tribunal de Berlin impõe pena máxima a profissional de cuidados paliativos que confessou ter matado pacientes sob seus cuidados
Um tribunal regional de Berlim impôs nesta quarta-feira, 8, a pena máxima prevista na legislação alemã — prisão perpétua — a Johannes M., médico de 41 anos que atuava em serviço de cuidados paliativos na capital.
A corte o considerou culpado pela morte de 15 pacientes, doze mulheres e três homens, mortos entre setembro de 2021 e julho de 2024 durante atendimentos domiciliares. O julgamento se estendeu por praticamente um ano.
Confissão veio no fim do processo
Depois de meses sem se manifestar sobre as acusações, o médico admitiu em junho de 2026 ter matado doze dos pacientes atendidos em domicílio. Alegou, na ocasião, que pretendia livrá-los do sofrimento.
A juíza responsável pelo caso, Sylvia Busch, rejeitou essa justificativa: “Se você procurar no dicionário, encontrará algo sobre onipotência divina, poder absoluto”, declarou a magistrada, ao descrever o estado de espírito que, segundo o tribunal, guiava as ações do réu.
As vítimas tinham entre 25 e 94 anos e residiam em diferentes regiões de Berlim. Todas enfrentavam doenças graves, mas nenhuma estava em risco imediato de morte — ponto que a Justiça considerou central para descartar a hipótese de eutanásia.
Um dos episódios citados na sentença envolveu uma paciente de 25 anos que havia recém-iniciado tratamento contra um tumor na tireoide e mantinha rotina independente, incluindo saídas de casa e encontros com amigos.
Ministério Público apura outros 76 casos
A magistrada classificou o condenado como assassino em série e afirmou que os crimes julgados podem representar apenas parte do total de vítimas. Ela mencionou conversas telefônicas entre o médico e a esposa nas quais ele teria dito matar “sempre, já há muito tempo”.
Segundo o Ministério Público alemão, outros 76 casos envolvendo o mesmo profissional continuam sob investigação, o que pode resultar em novos processos.
As primeiras suspeitas surgiram a partir da apuração de incêndios que, segundo a promotoria, teriam sido provocados pelo próprio médico para ocultar as mortes. Com o avanço das investigações, e com informações fornecidas pelo serviço de enfermagem em que ele trabalhava, o foco passou dos incêndios para os próprios homicídios.
Além da prisão perpétua, o tribunal decretou gravidade excepcional do crime, manteve o réu em prisão preventiva e aplicou proibição vitalícia do exercício da medicina. Casado e pai de um filho em idade escolar, o médico está detido desde agosto de 2024. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
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