Recepção de líder sírio motiva críticas. Macron alega pragmatismo
O deputado Éric Ciotti afirmou que o "tapete vermelho" estendido para al-Sharaa simboliza o sangue das vítimas do jihadismo
No último encontro diplomático, o presidente da França recebeu o novo líder sírio, Ahmed al-Sharaa, um ex-rebelde que ainda enfrenta críticas por sua incapacidade de controlar a violência contra minorias em seu país.
Apesar de ser considerado um potencial fator de estabilização, al-Sharaa permanece listado como terrorista por diversas entidades internacionais, incluindo a União Europeia e os Estados Unidos.
A recepção de al-Sharaa no Palácio do Eliseu não é algo comum, uma vez que sua presença exigiu uma autorização especial das Nações Unidas.
O encontro ocorreu logo após a visita do recém-eleito chanceler alemão, Friedrich Merz, destacando um contraste notável entre as relações com aliados tradicionais e a aproximação com líderes controversos.
Essa decisão provocou reações negativas entre os partidos de direita na França. Jordan Bardella, líder do Rassemblement National, expressou indignação, alegando que Macron traiu os valores da república e desrespeitou as vítimas do terrorismo.
Outros críticos, como o deputado Éric Ciotti, afirmaram que o “tapete vermelho” estendido para al-Sharaa simboliza o sangue das vítimas do jihadismo.
Encontro “pragmático”
Em resposta às críticas, o governo francês enfatizou que o objetivo do encontro era pragmático e focado na segurança nacional.
Macron, que já havia conversado com al-Sharaa anteriormente, reafirmou sua intenção de avaliar o líder sírio com base em suas ações.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, destacou que ignorar o diálogo com as autoridades sírias seria irresponsável e abriria caminho para grupos extremistas.
“Síria pluralista”?
Al-Sharaa tem buscado apresentar uma imagem moderada e estadista, sinalizando disposição para um processo democrático ordenado e promovendo ideias de um “Síria pluralista”.
No entanto, sua credibilidade foi abalada pelos recentes episódios de violência sectária entre as comunidades drusa, sunita e alauíta, evidenciando suas dificuldades ou falta de vontade em manter a ordem e garantir a segurança das minorias.
Relatórios da ONU indicam que mais de 1.700 alauítas foram mortos apenas em março.
Além disso, confrontos violentos entre as forças governamentais e a minoria drusa levantam dúvidas sobre a capacidade de al-Sharaa de controlar as forças de segurança recém-formadas, especialmente aquelas compostas por elementos radicais.
A proteção da comunidade drusa contra possíveis genocídios levou Israel a realizar ataques direcionados na Síria.
Esta questão também foi discutida durante a reunião entre Macron e al-Sharaa, com Paris considerando os bombardeios israelenses um obstáculo à estabilidade no país. Informações sugerem que o novo governo em Damasco poderia estar disposto a dialogar sobre a paz com Israel sob certas condições.
Aproximação estratégica
A aproximação com Damasco é estratégica para a França, visando influenciar um possível processo de transição no país e garantir acesso a projetos econômicos futuros.
Um exemplo disso é o recente contrato assinado pela CMA CGM para desenvolver e operar o porto de Latakia por 30 anos, fortalecendo assim a presença francesa no Mediterrâneo.
Macron afirmou ter uma responsabilidade histórica em relação ao povo sírio devido ao passado colonial da França no país.
A reabertura da embaixada francesa em Damasco sinaliza a intenção de Paris em participar ativamente do futuro da Síria, especialmente quando se trata do processo de reconstrução após anos de conflito.
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