Quase 30% do oceano já foi revelado: o mapa secreto do fundo do mar que expõe 19 mil montes submarinos
Nos últimos anos, o fundo do mar deixou de ser um grande desconhecido para se tornar um campo estratégico de pesquisa
Nos últimos anos, o fundo do mar deixou de ser um grande desconhecido para se tornar um campo estratégico de pesquisa. Com quase 30% do oceano mapeado em alta resolução, o projeto Seabed 2030 ganhou protagonismo em ciência marinha, segurança de navegação e estudos sobre o clima.
O que é o mapeamento do fundo do mar e por que ele é importante?
O mapeamento do fundo do mar, ou batimetria, mede a profundidade e a forma do leito oceânico, gerando modelos 3D semelhantes a mapas de relevo em terra. Ele revela trincheiras, planícies abissais, dorsais e montes submarinos, essenciais para entender a dinâmica física e biológica dos oceanos.
Esses dados apoiam a segurança da navegação, o traçado de rotas marítimas e a instalação de cabos e dutos submarinos. Também alimentam modelos de propagação de tsunamis e tempestades, fundamentais para sistemas de alerta precoce e políticas de prevenção de desastres costeiros.
Happy to report that in the final 2024 Phase I tally, TCarta, Greenwater Foundation and my firm used satellites to map over 285,000 square km of new coastal seafloor for the Seabed 2030 initiative. Phase II has begun with 948 sq km of new coast mapped and donated for Eq. Guinea. pic.twitter.com/NmpkmEf7A0
— Victor Vescovo (@VictorVescovo) February 13, 2025
Como o projeto Seabed 2030 pretende mapear todo o oceano?
O Seabed 2030 é uma iniciativa global que integra medições batimétricas de países, navios de pesquisa, embarcações comerciais e veículos autônomos. O objetivo é produzir até 2030 um mapa completo e de acesso aberto do leito oceânico, com resolução adequada às necessidades científicas e operacionais.
Sonar multifeixe em cascos de navios é a principal tecnologia, complementada por veículos autônomos em áreas remotas e profundas.
Centros regionais recebem, verificam e padronizam os dados, mas o sucesso do projeto depende da cooperação internacional e da abertura de informações hoje mantidas por forças armadas e empresas privadas.
With my partners TCarta and Greenwater Foundation, Caladan Oceanic has sponsored mapping an additional 5,157 sq km of costal areas using Satellite Derived Bathymetry (SDB): Fed. States of Micronesia, St Lawrence Island (US), Conarky (Guinea), and Pitcairn Islands for Seabed 2030. pic.twitter.com/UcgQ2UzpJW
— Victor Vescovo (@VictorVescovo) May 11, 2025
Qual é a relevância da descoberta de novos montes submarinos?
A identificação de cerca de 19 mil novos montes submarinos ampliou o conhecimento da geografia oceânica. Essas elevações vulcânicas submersas atuam como “ilhas” de biodiversidade, concentrando nutrientes, plâncton, peixes e grandes predadores em áreas antes consideradas vazias.
Os montes desviam correntes, geram turbulência e favorecem ressurgência de águas profundas, afetando cadeias alimentares e a produtividade pesqueira. Conhecer sua posição e altura é vital para submarinos, cabos de comunicação, oleodutos e para avaliar potenciais depósitos minerais estratégicos.
Quais são os principais usos práticos do novo mapa oceânico?
O novo mapa de alta resolução sustenta decisões ambientais, econômicas e de segurança. A seguir estão alguns dos principais usos práticos já em aplicação ou em desenvolvimento em diferentes partes do mundo.
Atualização de cartas náuticas e rotas seguras para navios e submarinos evitarem colisões.
Modelos precisos de tsunamis e tempestades baseados na morfologia do fundo do mar.
Compreensão de como o relevo marinho afeta as correntes e a circulação de calor no globo.
Definição de trajetórias seguras para cabos de internet, dutos e plataformas offshore.
Identificação de habitats sensíveis, montes marinhos e áreas que exigem proteção oficial.
Avaliação sustentável do potencial de mineração e exploração energética submarina.
Quais desafios precisam ser superados até 2030?
Mapear 100% do oceano em alta resolução exige superar altos custos de operação, vastas áreas remotas e limitações de autonomia dos veículos. Outro desafio é criar acordos que permitam compartilhar dados estratégicos sem comprometer interesses militares e comerciais.
Entre as prioridades estão equipar mais navios comerciais com sonar, ampliar o uso de veículos autônomos, definir diretrizes internacionais de divulgação e aplicar inteligência artificial ao processamento de grandes volumes de dados, tornando o mapeamento tão rotineiro quanto a observação da Terra por satélites.
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