Predador desaparecido do país há mais de 200 anos volta sem ajuda humana, forma nove casais e cria pelo menos 45 filhotes em um único ano
A recolonização natural mudou a fauna de uma nação europeia e trouxe novas questões sobre monitoramento, reprodução e convivência.
Um grande predador eliminado da Dinamarca no século XIX retornou sem ajuda humana e voltou a se reproduzir no território nacional. Em 2025, pesquisadores acompanharam nove casais e confirmaram pelo menos 45 filhotes distribuídos por sete áreas da península da Jutlândia.
Qual predador retornou depois de dois séculos?
O animal é o lobo-cinzento, de nome científico Canis lupus. A espécie vive em grupos familiares, normalmente formados pelo casal reprodutor, filhotes do ano e jovens nascidos em temporadas anteriores.
O último lobo da antiga população dinamarquesa foi morto perto de Skive em 1813. Perseguição intensa e caça sistemática já haviam eliminado a espécie de grande parte da Europa Ocidental durante os séculos XVIII e XIX.

Como os lobos voltaram sem ajuda humana?
Em outubro de 2012, um macho foi observado no Parque Nacional Thy e encontrado morto no mês seguinte. Exames genéticos relacionaram o animal a uma população da região da Saxônia, no leste da Alemanha.
O lobo havia percorrido aproximadamente 850 quilômetros por conta própria. Outros indivíduos atravessaram posteriormente a fronteira terrestre entre Alemanha e Dinamarca, permitindo a formação de casais sem solturas, transporte ou programa oficial de reintrodução.
Quando surgiu a primeira nova família no país?
Machos continuaram chegando após 2012, mas a presença de uma fêmea foi confirmada somente anos depois. Em 2017, câmeras registraram a primeira alcateia com filhotes na Dinamarca em cerca de dois séculos.
A reprodução local passou a contribuir cada vez mais para o crescimento. Filhotes nascidos no país formaram novos casais, enquanto outros se dispersaram pela Jutlândia ou cruzaram novamente a fronteira alemã.
Os marcos mostram a velocidade da recolonização:
Os nove casais tiveram filhotes em 2025?
Não. O monitoramento acompanhou nove pares conhecidos durante a primavera e o verão, mas confirmou reprodução em sete territórios. Um casal havia se formado tarde e outro não apresentou evidências conclusivas de cria naquele período.
A contagem final reuniu dois filhotes em Lille Vildmose, seis em Klosterhede, sete em Ulfborg, oito em Lønborg, oito em Skjern, sete em Oksbøl e sete em Hovborg, alcançando pelo menos 45 animais.
Como os pesquisadores contam animais tão discretos?
Câmeras automáticas registram adultos, fêmeas lactantes e filhotes em trilhas florestais. Pegadas, fezes, pelos e restos de presas fornecem material para análises genéticas capazes de identificar origem, sexo e parentesco.
O levantamento nacional publicado pelo UlveAtlas reúne dados do Museu de História Natural de Aarhus e da Universidade de Aarhus, responsáveis pelo acompanhamento realizado para a agência ambiental dinamarquesa.
O levantamento separa três situações:
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O retorno dos lobos está definitivamente garantido?
O crescimento indica que a população de lobos-cinzentos encontrou parceiros, alimento e territórios adequados. A chegada contínua de animais da Europa Central também ajuda a manter a conexão genética.
Entretanto, a convivência gera debates sobre ataques a rebanhos, proteção de criações e aproximação de áreas habitadas. Monitoramento, cercas adequadas e orientação pública serão essenciais para manter o predador na fauna dinamarquesa.
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