Pequeno sobrevivente colorido some por 20 anos e reaparece quando moradores ajudam cientistas a procurar além das montanhas
Após cinco dias de buscas sem sucesso, cientistas mudaram a estratégia e o conhecimento de guias e pescadores locais levou ao reencontro.
O pequeno sobrevivente colorido ficou 20 anos sem um novo registro científico até reaparecer em Madagascar. Em 2023, guias locais atravessaram cachoeiras e montanhas, conversaram com pescadores e ajudaram a equipe a reencontrar o peixe-arco-íris-de-Makira.
Qual é o pequeno peixe que ficou 20 anos sem registro científico?
Trata-se do peixe-arco-íris-de-Makira (Bedotia alveyi), espécie de água doce endêmica do nordeste de Madagascar. O animal foi coletado cientificamente em 2003 na região de Makira e só seria descrito formalmente como espécie em 2010.
O estudo original registra exemplares encontrados em riachos ligados aos rios Antainambalana e Vohimaro. A espécie possui reflexos iridescentes dourados, por vezes azulados ou esbranquiçados, além de tons avermelhados nas extremidades da nadadeira caudal.

Por que os cientistas não conseguiram encontrá-lo logo no início da expedição?
Em setembro de 2023, uma equipe com mais de 30 participantes entrou na floresta de Makira procurando dezenas de espécies sem documentação recente. Segundo a Re:wild, os biólogos passaram cinco dias amostrando tributários, o rio principal e trechos acima e abaixo da base sem encontrar os peixes procurados.
Tsilavina Ravelomanana, biólogo da Universidade de Antananarivo que havia pesquisado peixes na área 20 anos antes, relatou a frustração. O grupo então mudou a estratégia: em vez de continuar apenas nos pontos próximos, decidiu recorrer ao conhecimento de moradores que conheciam rios mais distantes.
Como moradores e pescadores ajudaram a localizar o peixe?
Os guias locais Melixon e Edmé foram enviados para uma caminhada de dois a três dias a partir do acampamento. Eles contornaram uma cachoeira íngreme, atravessaram montanhas e chegaram a vilarejos onde poderiam conversar diretamente com pescadores da região.
A mudança funcionou. Segundo a Re:wild, os guias encontraram o peixe-arco-íris-de-Makira depois de alguns dias e levaram um exemplar vivo de volta ao acampamento em um balde com água.
O reencontro ocorreu depois de uma sequência incomum:
Por que o peixe estava perdido para a ciência, mas não para os moradores?
O caso mostra uma diferença importante entre ausência de documentação científica e desaparecimento real. A Re:wild relata que o peixe era conhecido pelas comunidades locais, apesar de não ter aparecido em registros científicos durante cerca de duas décadas.
Isso significa que a espécie não havia necessariamente sumido dos rios de Makira. O problema era a falta de novos levantamentos capazes de documentá-la formalmente e a dificuldade logística para alcançar áreas onde moradores continuavam encontrando o animal.
A situação pode ser resumida em três pontos:
O que a redescoberta revelou sobre a floresta de Makira?
A expedição não reencontrou apenas Bedotia alveyi. Ao todo, a iniciativa confirmou 21 espécies consideradas perdidas para a ciência, incluindo outros dois peixes da lista original. A região continua sendo uma das áreas de biodiversidade mais importantes e menos estudadas de Madagascar.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores alertaram para pressões ligadas à agricultura e à transformação do habitat. Para espécies restritas a determinados rios ou trechos de floresta, saber onde ainda existem populações é essencial para orientar levantamentos e medidas de conservação.
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O que tornou a volta do peixe-arco-íris-de-Makira tão simbólica?
O estudo que descreveu a espécie partiu justamente de exemplares coletados em Makira em 2003. Vinte anos depois, o reencontro ocorreu quando a busca científica avançou para além dos locais inicialmente amostrados.
A história também reforça o valor do conhecimento local. Foram guias e pescadores que indicaram onde procurar e ajudaram a transformar uma ausência científica de duas décadas em um novo registro, mostrando que espécies consideradas perdidas podem continuar presentes longe das rotas mais acessíveis.
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