Pentágono exigirá exame anual de testosterona para soldados
O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa; medida atinge militares a partir dos 30 anos, para que sejam “fortes, resilientes e capazes”
Militares dos Estados Unidos com 30 anos ou mais passarão a se submeter, obrigatoriamente, a exames anuais para medir os níveis de testosterona. A determinação foi anunciada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, com o objetivo de manter as tropas “fortes, resilientes e capazes”.
Segundo o comunicado, quem apresentar deficiência do hormônio poderá recorrer à suplementação, mas não será forçado a isso.
Hegseth negou que a proposta tenha caráter de “aprimoramento artificial” do desempenho físico dos soldados. Para ele, o objetivo é “garantir que você [membro das Forças Armadas americanas] tenha os níveis corretos de testosterona para atuar da melhor forma possível”.
Escrutínio após morte de recruta
A relação entre tropas de elite e uso de testosterona ganhou atenção pública depois da morte de um recruta dos Navy SEALs durante um treinamento, em 2022.
O episódio expôs a posse de diversas substâncias pelo militar, entre elas a própria testosterona, e escancarou um consumo de drogas de desempenho mais amplo do que se supunha dentro do programa.
Em resposta, a Marinha americana passou a aplicar, a partir de 2023, testes voltados à detecção de “qualquer substância hormonal, química ou farmacologicamente relacionada à testosterona, que promova o crescimento muscular”.
Debate científico segue em aberto
A nova exigência do Pentágono surge em meio a uma flexibilização mais ampla das regras sobre reposição hormonal no país. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e outros integrantes do governo têm defendido facilidades para a prescrição do hormônio. Em junho, a FDA (agência regulatória de saúde dos EUA) propôs afrouxar restrições para géis, comprimidos, adesivos e injeções à base de testosterona.
Atualmente, esses medicamentos são indicados apenas a pacientes com hipogonadismo, quadro clínico caracterizado por queda acentuada da produção hormonal. Ainda assim, influenciadores digitais e apoiadores de Kennedy apresentam a testosterona como recurso para rejuvenescimento, ganho de massa muscular e preservação da capacidade cognitiva — usos sem respaldo da maioria da comunidade médica.
Pesquisas conduzidas pelo National Institutes of Health com homens mais velhos identificaram melhora na função erétil, na libido e em outros marcadores da saúde sexual, além de um efeito discreto sobre o humor. Já quesitos como cansaço, memória e sensação geral de bem-estar não mostraram avanços relevantes. Outros levantamentos citados apontam ganhos em força, massa muscular e densidade óssea.
As diretrizes médicas em vigor não recomendam a testagem irrestrita da testosterona. A orientação padrão prevê que médicos discutam a reposição hormonal apenas diante de sintomas específicos, associados a dois exames de sangue com resultados baixos.
A medição, além disso, é sensível ao horário: valores mais confiáveis costumam ser obtidos pela manhã e em jejum, já que a taxa do hormônio oscila ao longo do dia.
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