Peña pede mais 72 horas para fazer sua defesa
Apesar do pedido de renúncia, o presidente do Paraguai é alvo de um processo de impeachment
O presidente renunciante do Paraguai, Santiago Peña, pediu mais 72 horas ao Congresso para preparar e exercer a sua defesa no âmbito do processo de impeachment aberto contra ele.
No documento, Peña questionou notificação nº 4217, de 5 de novembro, por meio da qual foi informado de que deveria “formular sua defesa e oferecer provas”.
“Foi recebido às 22h15, acompanhado de calúnia acusatória de 15 páginas e anexos com cerca de 300 páginas”, disse o presidente paraguaio.
“É evidente que, sendo este um processo do qual pode surgir uma sanção, aplicam-se as garantias do devido processo, incluindo ter tempo suficiente para escolher um advogado de confiança e exercer o direito à defesa. Sem dúvida, Um período inferior a 12 horas é insuficiente para que um processo atenda aos padrões de um Estado de direito”, acrescentou.
Peña foi convocado para ir ao Senado nesta sexta-feira, às 10 horas, apresentar sua defesa.
A renúncia de Santiago Peña
Apontado como responsável pela crise envolvendo o Ueno Bank, Santiago Peña renunciou ao cargo na quinta-feira, 5.
Em vídeo, ele disse que tomou a decisão pensando na estabilidade do país.
“Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, afirmou.
Para o opositor paraguaio Efraín Alegre, do Partido Liberal, Peña renunciou apenas para tentar manter seus foros.
“É apenas uma estratégia dele, que não quer ser preso nem devolver o que roubou”, disse o político à Folha de S.Paulo.
“Isso não resolve os problemas. Essa era uma entidade que, quando Peña assumiu, era uma financeira. Em quatro meses de governo, ela se transformou em um banco e começou a captar recursos públicos —os regulamentos das instituições foram modificados para permitir que um banco com pouca trajetória financeira pudesse captar recursos do Estado. Nada disso poderia ter acontecido sem a cumplicidade do poder”, acrescentou.
Além da participação societária que tinha na estrutura empresarial ligada ao Ueno Bank, por meio da Ueno Holding, até março de 2025, Peña indicou Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central paraguaio.
Carvalho era presidente-executivo do Ueno Bank, alvo de uma intervenção do BC.
Cerca de 3 milhões de clientes –quase metade do Paraguai– foram afetados pela crise do Ueno Bank.
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